Bastidores da Política - Covid 19 mudou os costumes de um tempo gostosamente imoral


Covid 19 mudou os costumes de um tempo gostosamente imoral

Por RAIMUNDO DE HOLANDA

31/07/2021 19h56 — em Bastidores da Política

No auge da Covid 19 em Manaus,  vozes calavam e sorrisos se apagavam todos os dias. E nos reprimimos tanto que até o beijo foi suprimido e o sexo passou a ser praticado com o cuidado de 100 anos atrás.  O medo havia mudado a moral deste  tempo gostosamente imoral.

Agora, ignorando o perigo, estamos voltando para as ruas, para as festas, para as luzes das boates, reingressando na fantasia de um mundo sonhado, regado a bebida e sexo. Tudo como o diabo e a gente gosta.

Mas não estaremos abrindo as portas para um novo e mortal ataque do monstro que pode estar no beijo melado ou no lenço de papel na mesa do bar?

A pandemia, no seu auge no Amazonas, foi um tempo de medo e isolamento. Mas também de família, de cuidado com o outro. Amigos morriam ou ficavam sequelados. Irmãos enterravam irmãos sem tempo para despedidas.

De repetente  veio a vacina. O vírus cedeu, mas nem tanto. O que mudou assustadoramente foi o cuidado que tínhamos. Relaxamos tanto que os números divulgados diariamente ainda indicam que o perigo não passou.

De 1 de junho a 31 de julho morreram de Covid no Amazonas  207 pessoas, das quais 143 em Manaus.

Se comparado com o auge da pandemia, entre fevereiro  e abril, quando morriam 100 pessoas ou mais por dia, esse número é pequeno. Mas é também uma amostra de que lidamos com o imprevisível, com um monstro que tem o poder  de se transformar rapidamente e vencer todas as barreiras erguidas pela ciência, inclusive a vacina.

É o caso da variante Delta. Segundo estudos, menos mortal, mas  nem por isso menos perigosa. Estamos preparado para ela ?  Parece que não. Voltamos para as ruas, para as festas, para as luzes das boates e ingressamos na fantasia de um mundo sonhado, regado a bebida e sexo. Tudo como o diabo e a gente gosta.

Mas não estaremos abrindo as portas para um novo e mortal ataque do monstro que pode estar no beijo melado ou no lenço de papel na mesa de um bar?

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.