No auge da Covid 19 em Manaus, vozes calavam e sorrisos se apagavam todos os dias. E nos reprimimos tanto que até o beijo foi suprimido e o sexo passou a ser praticado com o cuidado de 100 anos atrás. O medo havia mudado a moral deste tempo gostosamente imoral.
Agora, ignorando o perigo, estamos voltando para as ruas, para as festas, para as luzes das boates, reingressando na fantasia de um mundo sonhado, regado a bebida e sexo. Tudo como o diabo e a gente gosta.
Mas não estaremos abrindo as portas para um novo e mortal ataque do monstro que pode estar no beijo melado ou no lenço de papel na mesa do bar?
A pandemia, no seu auge no Amazonas, foi um tempo de medo e isolamento. Mas também de família, de cuidado com o outro. Amigos morriam ou ficavam sequelados. Irmãos enterravam irmãos sem tempo para despedidas.
De repetente veio a vacina. O vírus cedeu, mas nem tanto. O que mudou assustadoramente foi o cuidado que tínhamos. Relaxamos tanto que os números divulgados diariamente ainda indicam que o perigo não passou.
De 1 de junho a 31 de julho morreram de Covid no Amazonas 207 pessoas, das quais 143 em Manaus.
Se comparado com o auge da pandemia, entre fevereiro e abril, quando morriam 100 pessoas ou mais por dia, esse número é pequeno. Mas é também uma amostra de que lidamos com o imprevisível, com um monstro que tem o poder de se transformar rapidamente e vencer todas as barreiras erguidas pela ciência, inclusive a vacina.
É o caso da variante Delta. Segundo estudos, menos mortal, mas nem por isso menos perigosa. Estamos preparado para ela ? Parece que não. Voltamos para as ruas, para as festas, para as luzes das boates e ingressamos na fantasia de um mundo sonhado, regado a bebida e sexo. Tudo como o diabo e a gente gosta.
Mas não estaremos abrindo as portas para um novo e mortal ataque do monstro que pode estar no beijo melado ou no lenço de papel na mesa de um bar?
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.


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