O lado pessoal e acusações estéreis tomaram conta do debate político. Dos candidatos ao governo do Amazonas espera-se a defesa intransigente do modelo industrial de Manaus, constantemente ameaçado. Interessa saber como pretendem fortalecer sua indústria diante das transformações que já estão acontecendo.
Preservar empregos e produção sem transferir indefinidamente ao consumidor o custo dessa proteção talvez seja uma das equações econômicas do próximo governo.
A melhor defesa da Zona Franca será aquela que, além de proteger suas vantagens, aumente sua capacidade de competir.
Incentivos fazem mais sentido quando ajudam empresas a inovar, incorporar tecnologias, aumentar produtividade e oferecer produtos capazes de permanecer competitivos.
Há ainda um personagem que não pode ser esquecido: o consumidor. Se o importado oferece tecnologia semelhante por preço menor, não parece razoável responsabilizar quem escolhe aquilo que cabe no próprio orçamento.
Produzir é diferente de simplesmente importar o produto acabado. Uma indústria instalada movimenta trabalhadores, fornecedores, engenharia, pesquisa, serviços e renda.
Esse conjunto ajuda a explicar a importância econômica do Polo Industrial de Manaus. Mas proteção não pode significar acomodação.
A resposta também não deveria se limitar à criação de barreiras para tornar artificialmente mais cara essa escolha.
O desafio é entender por que o produto estrangeiro consegue chegar em melhores condições e permitir que a indústria instalada dispute esse consumidor com qualidade, inovação e preço.
Essa é uma discussão que merece espaço na campanha.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.



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