Bastidores da Política - Bosco, até tu ? Manaus não entendeu, nem o Morro...


Bosco, até tu ? Manaus não entendeu, nem o Morro...

Por RAIMUNDO DE HOLANDA

10/05/2021 19h40 — em Bastidores da Política

  • Pareceu fácil ao deputado Bosco Saraiva explicar por quê Padre Bernardo, em Goiás, para onde direcionou recursos de emenda parlamentar, e não Iranduba, Manacapuru, ou mesmo Manaus: “atendi pedido de um colega de partido”. É a versão cínica de uma ação no mínimo escandalosa. Ao mesmo tempo em que ofende a inteligência dos amazonenses com essa narrativa, Bosco trai a confiança de seus eleitores

O Legislativo é o Poder mais vigiado e, por natureza, o mais transparente. Não sei dizer se a corrupção campeia ali  mais do que nos outros  poderes.  Porém, nada fica sob tapetes por muito tempo, nem o chamado "Orçamento Secreto", criado a partir de um grande esquema para proteger o Presidente Jair  Bolsonaro, perdido em um mundo de deslumbramentos, mentiras e fantasias que agora vê desmoronar. 

Embora entenda que o dinheiro das emendas parlamentares não é ilegal, mas excessivamente alto e pouco transparente, causa estranheza que um parlamentar amazonense tenha destinado recursos para Padre Bernardo, em Goiás. Seu nome, Bosco Saraiva, do Solidariedade, em um momento em que o Amazonas, Estado que o elegeu, sofre com mortes, doença, desemprego e  pobreza.

Um Estado formado por cidadãos que não precisam de favores de seus representantes, mas de “solidariedade”, que afinal serve, indevidamente de nome ao partido ao qual o deputado está filiado.

Pareceu fácil a Bosco explicar por quê Padre Bernardo e não Iranduba, Manacapuru, Tefé, Tonantins ou mesmo Manaus: “atendi pedido de um colega de partido”.

Nem se discute o fato de o dinheiro (R$ 2 milhões) ter sido usado para a compra de tratores com valores acima dos de mercado.

Mas é no mínimo cínica a versão do deputado, a narrativa débil, a desculpa senão infantil, desprovida de qualquer fundamento outro a não ser o de obter alguma coisa em troca.

Ao mesmo tempo em que ofende a inteligência dos amazonenses com essa narrativa, Bosco trai a confiança de seus eleitores, confinados em casa por causa da pandemia, sem o "Pagode do Morro", do "Bagaço da Laranja" e do "Bloco do Mulambão”, ou da escola que leva o nome do bairro em Manaus, reduto do deputado. E tristes ficaram porque pensavam que tinham um representante leal no Parlamento. Nem isso mais…

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.