As bolhas, que continham mundos paralelos, mas concentradas numa rede social, explodiram. A intolerância agora está em todo lugar. Envenena o País e planta uma interrogação no futuro da democracia. Não há mais anônimos por trás de perfis. Há homens e mulheres nas ruas lutando por uma causa perdida. Seu erro é inverter valores: pedem democracia com armas e o que produzem são reações que restringem a livre manifestação de pensamento.
Mas quem alimenta esses grupos cada vez maiores - talvez menores nas ruas, mas gigantes em diversos setores da sociedade, comungando de um crescente descontentamento com os rumos que o País está tomando?
Não é difícil explicar o fenômeno, porque é consequência de uma exploração do inconsciente coletivo pelo governo Bolsonaro, num doentio despertar de recalque, ódio, desejos e preconceitos reprimidos.
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Ontem, disse neste espaço, que as tolices de Bolsonaro prejudicavam o Brasil. E de fato prejudicam. Mas há um propósito: o de aprofundar a tensão com o Judiciário, que reage de forma açodada, em clara violação do espírito da Constituição do País. Há precedentes: não cabe ao Supremo investigar, julgar e condenar ao mesmo tempo.
Na verdade, o que o bolsonarismo faz, com alguma competência, é provocar. E o STF, como o TSE, na intenção legítima de defender a democracia, tem caído na provocação.
O resultado é o inverso do pretendido: mais pessoas têm um conceito ruim do Judiciário, até pela desinformação que o bolsonarismo gera em escala industrial.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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