O ministro da Pesca, senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), chegou ontem a Manaus meio fora de órbita. Após uma entrevista coletiva, ao cumprimentar o presidente da Assembleia Legislativa, Josué Neto, soltou essa: “Oh, meu presidente! Viva o PT!” Josué explicou que o seu partido é o PSD, e Crivella se desculpou: “Mas eu pensei que estava falando com o presidente da Assembleia”. Nova correção e nova desculpa. Ele pensava que o presidente era do PT.
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Mais tarde, no pronunciamento em plenário, falando sobre o recadastramento dos pescadores, disse que agora eles terão uma carteirinha que será permanente. Mas errou feio na geografia: “Não vai mais ser necessário um pescador, por exemplo, do Alto Xingu, vir a Manaus de dois em dois anos renovar a carteira”. O ministro da Pesca, que pensa que o Xingu fica no Amazonas, não deve saber o que é caniço. Duvidam...
O CARA É AUTORITÁRIO
O ministro Marcelo Crivella veio a Manaus lançar o Plano Safra da Pesca e Aquicultura, mas não fez qualquer referência às manifestações populares que eclodiram no país. Seu currículo não é nada favorável ao movimento. Ele é co-autor de um projeto de lei que propõe a repressão a manifestações durante a Copa das Confederações, que está acontecendo neste mês, e a Copa do Mundo de 2014. O PL 728/2011, que tramita no Senado, define que sejam tratadas como atos de terrorismo, prevê o incidente de celeridade processual e medidas cautelares específicas, além de limitar o direito dos trabalhadores à greve no período.
Mudança de discurso
Ao contrário da maioria dos petistas que não reconhece nenhuma realização do ex-presidente Fernando Henrique Cardosos, o senador Jorge Viana (PT), reconheceu, ontem, no Senado, que FHC domou a inflação e estabilizou a economia do Brasil. Viana também afirma que o Senado ainda está perplexo com as manifestações de rua.
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O discurso de Jorge Viana, porém, tinha em vista, mais adiante, provar que a proposta da presidente Dilma Rousseff de uma constituinte específica para a reforma fiscal não era coisa nova pois, diz ele, FHC já a propusera em 1999.
Injeção na veia
Entusiasmado com a vinda do ministro da Pesca e Aquicultura a Manaus, para lançar o Plana Safra 2013, o líder do governo na Aleam, deputado Sinésio Campos (PT), se empolgou tanto que comparou o volume de recursos destinados ao Amazonas a “uma injeção de glicose na veia.” Aqui foram contratados cerca de R$ 5 milhões, que Campos avisa, favoreceu mais de 90 pescadores.
Castro mira quem mesmo ?
Ao comentar as medidas propostas pela presidente Dilma Rousseff para apaziguar as manifestações de rua, o deputado Luiz Castro (PPS) disse que o país tem boas leis, mas não as cumpre e apontou o fato de políticos colocarem como seus suplentes a mulher ou um empresário rico.
Desafio aos deputados
Depois de afirmar que “estamos fazendo a política do faz de conta”, o deputado Vicente Lopes (PMDB), ao falar sobre a reforma política, desafiou seus colegas de parlamento a defender, publicamente, que a campanha eleitoral seja paga com dinheiro público. Se levar em consideração os favores prestados aos patrocinadores pelos que se elegem, o contribuinte já paga há muito tempo essa conta.
Antes de Lula assumir o poder
"Há 15 anos, os ônibus que rodavam na cidade de Manaus tinham ar-condicionado, o trânsito não era tão parado como é hoje. Manaus, hoje, parou. Os ônibus não têm mais ar-condicionado, o trânsito para, ninguém anda, e o preço da passagem é muito caro". O lamento é da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB), ao descobrir, ontem, que antes do PT Manaus andava.
Contra plebiscito
Enquanto o presidente Câmara dos Deputados, Henrique Alves (PMDB/RN) “não acha nada” sobre constituinte da reforma política e Renan Calheiros (PMDB/AL) diz que é natural a sociedade opinar sobre seu destino, os dois além dos senadores Eduardo Braga (PMDB/AM) e Aécio Neves (PSDB/MG) fizeram reunião, ontem, para tentar chegar a consenso.
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O problema, para começo de conversa, é que o líder do PMDB na Câmara, deputado Eduardo Cunha (RJ), esteve com Henrique Alves e disse que “a casa é contra esse plebiscito”.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.


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