Verdade e pós-verdade se contrapõem todos os dias. No judiciário, mentiras chegam embutidas em argumentos espúrios, em que a verdade objetiva é desconstruída com manobras engenhosas e veículos censurados. O mesmo cuidado que o jornalista deve ter com a informação viciada, usando de fontes de filtragem, se afastando dos redemoinhos de vozes que circulam em mídias alternativas, o juiz deve ter com os argumentos daqueles que querem destruir a imprensa, com falsas alegações.
Se uma notícia falsa ou sem base causa danos a pessoas e ao próprio veiculo, uma decisão judicial com base em premissas falsas com o objetivo de desacreditar o jornalismo profissional não é apenas um golpe contra a liberdade de informação e opinião - garantia constitucional no Brasil. É uma ameaça à democracia.
O jornalista mente? Diria que o jornalista de verdade erra. Mas acerta muito mais. O advogado erra? Não. Porque ele é senhor das artimanhas e talvez domine melhor a linguagem que o juiz compreende. E aí reside o grande risco.
Para o advogado vale a premissa de Aristóteles Onassis - o magnata que casou com a viúva de John Fitzgerald Kennedy, Jackelline Kennedy, que foi famoso no seu tempo. “ Não ser pego em uma mentira é o mesmo que dizer a verdade ”. Ou, para ser bem brasileiro, porque não lembrar do poeta Mario Quintana, para quem “ a mentira é uma verdade que esqueceu de acontecer ”.
Mas acontece nos dias atuais, quando transita sem cuidados pelo Judiciário e acaba nas mãos de um juiz desatento - poucos felizmente.
É o caso, por exemplo, da censura imposta ao Jornal o Globo por magistrado do Amazonas, Manuel Amaro de Lima. De tão estapafúrdia, a decisão tomada prevê até a possibilidade de prisão de jornalistas.
Os tempos são de escuridão. E a democracia corre um grande risco. Mas o Judiciário não pode nem deve ser o seu principal algoz.


Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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