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Amazonino cansou. E, de certa forma, também cansamos

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Por Coluna do Holanda
26/08/2022 23h24 — em Coluna do Holanda

O ex-governador Amazonino Mendes não estava bem na  sua última entrevista. Sentiu fortes  dores de dente e saiu do estúdio para o consultório odontológico. Não demorou para as redes sociais pintarem a imagem de um homem cansado. E houve quem caprichasse na legenda: “ tá doente e velho ”. Amazonino não carrega com ele as doenças do mundo, nem as digitais da peste que assolou o Amazonas e matou mais de 14 mil amazonenses.

Amazonino envelheceu, é verdade. Amazonino cansou, também é verdade. Mas é um sobrevivente.

Se o seu maior defeito para os que o criticam é ter envelhecido, então ninguém aprendeu com as tragédias que vivenciamos, ninguém valoriza o conhecimento e ninguém está olhando para o espelho. Também estamos envelhecendo. Vamos ser vítimas de preconceitos? Vão dizer o quê de nós ?

Você pode não gostar de Amazonino, mas não ouviu dizer sobre ele outra coisa a não ser que envelheceu. Ninguém diz que ele dividiu o estado em companhias hereditárias e o entregou aos amigos do rei. Ninguém diz que ele se apropriou da coisa pública como muitos governantes o fizeram. Amazonino é como um Baobá que desafia o tempo e acumula conhecimento para compartilhar com as futuras gerações.

A participação  de Amazonino no processo eleitoral sinaliza uma esperança: a de resgatar a dignidade que foi tirada dos amazonenses. Se você não o percebe com essa vontade, com essa missão, então você não tem memória - nem do tempo passado, nem do tempo presente. Uma prova de que você enxugou precocemente as lágrimas que você derramou no dia do desespero, mas não pôde esconder que seus olhos ainda estão vermelhos. Nunca, jamais, essa vermelhidão desaparecerá, porque as feridas ainda estão abertas e elas sangram.

Você pode até tentar esquecer tudo em troca de um agrado, menos a angústia dos que você amava e que você viu partirem inesperadamente, sem ar, sem assistência. Você não pode esquecer das lágrimas que você derramou e da angústia que você sentiu, do medo que você compartilhou.

Você não pode deixar de identificar os culpados. E apostar em alguém que possa  ajudar você a cicatrizar essas feridas e recuperar a esperança em um novo tempo. Você deve essa aposta de futuro aos amigos, aos irmãos, às mães e pais que você  viu partir em meio a pandemia. Você deve isso a seus filhos.

Nunca mais devemos passar por tamanho pesadelo. Mas tudo depende de você, da forma como você passou a ver o mundo  e olhar as pessoas, menos pela idade e mais pelo que elas poderão fazer pelo Estado do Amazonas.

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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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