Ao falar na Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC),Lula foi direto. E tocou em um ponto que, para nós, da Amazônia, não é teoria — é experiência.
A Amazônia é frequentemente apresentada como patrimônio do mundo e ativo estratégico do Brasil. Ainda assim, convive com desafios antigos: infraestrutura precária, limitações econômicas e um modelo de desenvolvimento que nem sempre acompanha essa importância. É como se a região fosse central na fala, mas periférica na prática — e é por isso que o alerta sobre uma “nova colonização” encontra eco por aqui.
Para quem vive no Amazonas, a ideia de soberania não é apenas geopolítica — é cotidiana. A sensação, muitas vezes, é de que decisões relevantes sobre o futuro da região continuam sendo tomadas longe daqui, sem que a realidade local seja plenamente considerada.
O cenário se torna ainda mais sensível diante de um mundo que disputa recursos estratégicos, como minerais essenciais para tecnologia e energia.
Se o Brasil defende sua soberania diante das potências, precisa também olhar para dentro. A coerência exige que regiões como o Amazonas sejam tratadas com a mesma prioridade que se reivindica no plano internacional. Porque, no fim, a pergunta é simples — e urgente: vamos continuar sendo lembrados pelo que temos ou finalmente pelo que podemos nos tornar?
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.


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