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Coluna do Holanda

ALFREDO BURLA A LEI

Coluna do Holanda
Por Holanda
24/09/2010 07h46 — em Coluna do Holanda
O candidato Alfredo Nascimento encontrou uma fórmula de  burlar a legislação eleitoral brasileira. Está veiculando propaganda eleitoral  na rádio peruana Fronteira Stéreo, que fica na Ilha Santa Rosa. Como a  propaganda  é feita em bom português e a emissora entra com forte sinal em  Tabatinga e outros municípios do Solimões, sendo muito sintonizada pelos caboclos, Alfredo  consegue se comunicar a cada cinco minutos com pelo menos 100 mil eleitores do lado brasileiro. Mas o TRE já está avaliando o tamanho da esperteza do ex-ministro dos  Transportes e pode dar um "tranco"nele a qualquer momento.

ARTHUR  BRIGA PELO MILHÃO DE VOTOS


O senador Arthur Neto anda animado com a mudança do quadro eleitoral no interior do Estado. Embora  as pesquisas oficiais - aquelas registradas no TRE e no TSE - não apontem o seu crescimento, números levantados para consumo interno indicam que o senador deve atingir entre 850 mil a  um milhão de votos. Se isso for confirmado nas urnas, Arthur teria se aproximado do ex-governador Eduardo Braga e garantido a segunda vaga para o Senado. Mais que isso: desacreditado todos os institutos de pesquisa, que apontam Vanessa Grazziotin como empatada tecnicamente com ele ou, na frente, como foi o caso da pesquisa divulgada  na quarta-feira pela Perspectiva.



 CONTANDO COM A ABSTENÇÃO

A disputa para o governo no interior do estado deve revelar surpresas em 3 de outubro, quando é esperada uma grande abstenção de eleitores  por causa da seca dos rios. Isolados, não terão como chegar até os locais de votação. O segundo problema é ainda mais grave. Muitos eleitores não têm carteira de identidade ou outro documento com foto, obrigatório para votar este ano. A abstenção pode ajudar ou prejudicar tanto Alfredo Nascimento quanto  Omar Aziz, mas a turma do Alfredo aposta que o senador será o mais beneficiado. E que  é aí que pode virar o jogo no último minuto do segundo tempo.

O MAU EXEMPLO DO SUPREMO


Quando o Supremo Tribunal Federal  passa 12 horas votando a constitucionalidade ( ou a aplicabilidade?)  de uma lei - a da Ficha Limpa - e depois de um empate não sabe que decisão tomar, é porque  o país vai mal, as instituições vão mal. A impressão que ficou foi a de que os 10 ministros presentes não sabiam o que estavam votando - se um simples recurso extraordinário interposto pelo candidato Joaquim Roriz, que questionava a aplicabilidade da Lei da  Ficha Limpa,  ou se era a constitucionalidade da Lei complementar 132/2010, que retroagiu a 2007 e pegou o ex-governador de BrasÍlia, quando ele ainda era senador,   "mexendo no painel de votação do Senado¨.  

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Para quem perdeu 12 horas na frente da televisão, assistindo a exposição cansativa  de cada ministro, ficou a sensação de perda de tempo e de que a justiça brasileira é tudo o que se diz dela - falha, pobre, movida por interesses sobre os quais não vale a pena comentar. Depois desse espetáculo deprimente, o brasileiro foi dormir mais preocupado, menos protegido, se sentindo mais vulnerável. O Supremo foi tudo ontem à  noite, menos o Supremo.
 
  DANIEL SE IRRITA COM SERAFIM

O clima esquentou ontem à noite na sessão do Pleno do Tribunal Regional Eleitoral, com o arquivamento de mais de 82 ações de invasão de propaganda eleitoral interpostas pela coligação “Avança Amazonas”. O advogado  Daniel Jacob Nogueira, que na quarta-feira contabilizou algumas vitórias, ficou irritado com a "intromissão"do ex-prefeito Serafim Correa, que andou metendo o bico em questões que estariam restritas aos advogados das coligações,   e o mandou  calar a boca.

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Daniel  chegou a discutir com a desembargadora e presidente do TRE, Maria das Graças Figueiredo. O advogado reclamou de uma representação sua,  que não estava andando, mas foi aconselhado pela magistrada que reclamasse com o  juiz auxiliar da propaganda, Vasco do Amaral, que presente no Pleno.

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Graça chegou a reclamar que Daniel  representou contra ela, mas o advogado retrucou afirmando que não foi contra a desembargadora, mas contra a corte como o todo.

R$ 300 MIL POR UM ESTANDE

A Prefeitura de Manaus, por meio da ManausCult e a At Home Eventos e Promoções, firmaram contrato no valor de R$ 300 mil, a ser pago pelo contribuinte, referente ao aluguel de um estande de 150 metros quadrados no Casa Cor Amazonas 2010. O evento vai ser realizado no Centro Cultural Povos da Amazônia e o aluguel é por 63 dias. Precinho camarada, diga-se.

ATÉ OS ESPÍRITOS COMEM

Na mesma pisada a Manaustur fez convênio com a Sociedade Espírita de Assistência Nosso Lar, no valor de R$ 280,5 mil, com o objetivo de realizar evento de ação social nos bairros Parque das Nações e João Paulo, nos dias 24 e 25 de setembro de 2010. Nada contra a sociedade espírita, mas fazer evento de responsabilidade social com o dinheiro do contribuinte e ganhar a fama é o melhor dos mundos.

SEM DEBATES


O candidato a vice-governador pela coligação O Amazonas Melhor para Todos, Serafim Corrêa (PSB) reclamava, ontem à noite, do desperdício das oportunidades de debate entre os candidatos ao Senado  no Amazonas. Diz ele que essas discussões só estão sendo promovidas por escolas de nível superior e, mesmo assim, a maioria dos candidatos não comparece. 

TODOS PENDURADOS


Da discussão sobre a Lei do Ficha Limpa  travada ontem no Supremo Tribunal Federal e que findou empatada em 5 x 5, dependem pelo menos 27 candidatos, entre eles  Nelson Azedo e Adail Pinheiro(PRTB).

VALE AGORA

“Este 5x5 do STF, para mim, define que a Lei da Ficha Limpa deve valer para essas eleições, porque o acórdão do TSE não foi derrubado! É claro!”. O posicionamento é do deputado estadual e candidato à reeleição Luiz Castro (PPS) que, obviamente, prefere os fichas sujas de fora logo: menos concorrentes no pleito, além de tirar da política os maus exemplos.

DOA A QUEM DOER


A candidata preferencial à Presidência de Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff disse, ontem, que corrupção é um mal que afeta várias instituições, não só o governo federal. E que tem que ser punida, doa a quem doer. Depois a ex-ministra e ex-chefe de Erenice Guerra afirmou, em debate:  "Não, não permitirei que políticos ficha-suja participem do meu governo".

 
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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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