O que as pessoas gostam de ler aparentemente é o que elas mais detestam: um amor bandido exposto, com seu histórico de traições; a matança que as facções promovem e a violência do trânsito. É o que que se deduz das matérias mais lidas nos últimos 12 meses. Talvez você não se enquadre nesse público, mas ele representa o grosso da população. E do eleitorado. Se essa opção por esse tipo de leitura mantém as pessoas distantes de outra realidade – a origem desses problemas: famílias desestruturadas, um estado falido, políticos interessados em se dar bem, então alguma coisa precisa mudar.
Não há um receituário para que essa mudança ocorra no médio prazo, especialmente quando o tema segurança começa a ser explorado pelos pré-candidatos, sem abrir um debate público que inclua educação e a capacidade do futuro governo de gerar oportunidades de trabalho.
R$ 27 bilhões para gastar no Amazonas
No Amazonas, o próximo governador vai administrar um orçamento de R$ 27 bilhões, que se bem aplicado, geraria empregos, reduziria a pobreza, amenizaria a violência. Mas é um assunto que só desperta o interesse das pessoas quando há uma denúncia de corrupção, quando o dinheiro arrecadado foi parar no bolso dos políticos.
A forma como a população encarra os problemas que mais a afligem - elegendo a violência como o primeiro - é equivocada.
A violência tem uma contribuição imensa daqueles que escolhem seus governantes sem exigir contrapartidas, sem avaliar tanto propostas quanto a capacidade de gestão, de compromisso de cada um deles com a coisa pública – que é coisa de cada cidadão.
Não deixe de ler o que você gosta. Afinal, a violência está batendo na porta de casa. Mas em tempos de eleição, é bom saber como os candidatos estão planejando a economia e como o próximo governador vai gastar os RS 27 bilhões que, no geral, sairão do seu bolso.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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