Sol escaldante em meio a chuva intermitente em algumas áreas de Manaus. Mistura de inverno e verão. Fenômeno que só acontece aqui. Uma tarde de más notícias - de acidentes, não apenas um, diversos envolvendo motos - gente como Alberto, que pilotava pela primeira vez - a primeira que se tornou a última.
Cansado de um sistema de transporte coletivo que funciona mal - Alberto comprou uma moto em 24 prestações. Achava que havia conquistado a liberdade - levaria a filha à escola e chegaria sem atrasos ao trabalho.
Neste sábado perdeu a perna, provavelmente o emprego. Mutilado, como centenas de outros, viu sonhos de estabilidade desaparecer.
É uma conta pesada para Alberto, mas também para a sociedade. O custo com o atendimento a acidentados é alto - especialmente em ortopedia. O que fazer?
Não há remédio para o problema, porque sonhos, como o de ter uma moto e fugir do transporte público precário tem a ver com a liberdade - essa força que parece nos impulsionar para frente quando tudo nos puxa para trás. Esse desejo de superar dificuldades e aceitar desafios, tão natural no ser humano.
É preciso ter sofrido as mesmas dificuldades de Alberto (e outros) para compreender o valor de um sonho, mesmo quando esse sonho se transforma em pesadelo.










Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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