A prisão esta semana da médica Maria do Socorro Pereira, que teria negado atendimento a uma paciente e desacatado a polícia, acabou provocando uma onda de protestos das entidades de classe contra o que entendem como "abuso" que precisa e deve ser contido. Mas enquanto o Sindicato dos Médicos atribuia o incidente "a falta de investimentos no setor de saúde", afetando a relação médico-paciente, e o comando da PM prometia punir os policiais, internautas inundavam as redes sociais com elogios a atitude dos militares - o que revela que essa relação médico/paciente é explosiva e não está ligada apenas a eventual escassez de investimentos. A razão é também a falta de preparo para lidar com diferentes conflitos, e que apenas o diploma de médico não avaliza a presença de alguns profissionais em áreas críticas, como pronto-socorros.
Se faltou aos policiais comedimento, à medica faltou paciência e a necessária compreensão com pessoa fragilizada, que para entrar em seu consultorio esperou o ônibus por mais de meia hora e levou outra hora e meia para chegar ao pronto-socorro. A medicina é uma atividade importante, mas o médico que trabalha no serviço público deve levar em conta que o tipo de paciente que o procura é uma bomba relógio, prestes a explodir, e que seu papel é também desarmá-lo. Talvez resida aí o melhor remédio.
Não basta apenas discutir sobre quem agiu mal: se a paciente, a médica ou a polícia. Ou ainda quem é o monstro dessa história. Cabe discutir soluções, que passam por um melhor preparo, tanto da polícia quanto dos médicos na relação direta com a população pobre.
HISSA COSTURA POR FORA
O vice-prefeito Hissa Abrahão viajou neste sábado para o Recife. Foi participar de uma reunião do PPS com a cúpula do PSB. É a tal costura por fora, visando as eleições de 2014.
OMAR CANDIDATO AO SENADO
O jantar do governador Omar Aziz com deputados da base aliada esta semana ocorreu em clima de despedida. Omar, com popularidade recorde, deve deixar o governo para seu vice José Melo, em março, e disputar o Senado.
PLAQUINHA DA MALANDRAGEM
Para justificar uma reconhecida indolência e descaso com a população, servidores públicos (inclusive médicos) fazem uso de uma placa com os dizeres: "Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela: pena de seis meses a dois anos de detenção (Art. 331 do Código Penal - Decreto Lei 2848/40). Com isso conseguem calar muita gente, que um dia acaba explodindo. Já há uma proposta de juristas que trabalharam na reforma do Código Penal para revogar esse artigo que premia a incompetência e os maus-tratos no serviço público brasileiro.
MUDAR AGORA, POR QUE NÃO ?
O governo do Amazonas podia se antecipar, e por fim ao uso dessas placas na entrada de pronto-socorros e outros órgãos da adminstração pública, uma vez que soam como ameaça e isolam o cidadão do servidor público, que está ali para servi-lo, não para ameaçá-lo.
A SETE CHAVES
Entusiasta da exploração mineral do Amazonas, o deputado Sinésio Campos (PT) diz que matou a cobra, mas não mostra o pau. Na sexta-feira, ele afirmou na Aleam, ter participado, na véspera, de reunião com o governador Omar Aziz e empresários do Canadá, Austrália e Brasil que têm interesse em explorar minério por aqui. Já os nomes desses grupos ele não dá nem sob tortura.
PORTA DE SAÍDA
Proposta pelo deputado Abdala Fraxe (PTN), o comandante do 9º Batalhão da Polícia Militar, Michel Anderson Pereira, foi condecorado com a Medalha do Mérito Legislativo na Aleam, mas afoto dos dois, divulgada em rede social por Fraxe, é que não foi feliz: ao fundo, um adesivo indica a porta de saída.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.



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