Na manhã desta terça-feira (21), estudantes do Liceu de Artes e Ofícios Claudio Santoro e moradores da Cidade Nova e de bairros adjacentes puderam conhecer o mais novo espaço dedicado à arte e à cultura da Zona Norte de Manaus: a Sala Coletiva das Artes, inaugurada pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura, em parceria com o Sumaúma Park Shopping. Na abertura, os visitantes puderam conferir em primeira mão a exposição “Imaginário amazônico”, com obras do artista amazonense Da Silva Da Selva, que seguirá em cartaz no local até 22 de maio.
Presente à inauguração, o secretário de Estado de Cultura, Robério Braga, destacou a abertura do novo espaço localizado no Sumaúma Park como parte de um processo ampliado e continuado de descentralização das ações de difusão e formação cultural da pasta. “É uma área comercial em que as pessoas não esperam encontrar obras de arte, livros ou manifestações artísticas. Mas é importante surpreender essas pessoas com a possibilidade de também aproveitar a produção artística do Estado”, declarou.
O secretário apontou ainda a relevância da obra de Da Silva Da Selva, tema da mostra inaugural da Sala Coletiva das Artes. “É significativo o fato de estarmos trazendo um grande profissional amazonense, que trabalhou por muitos anos no Inpa, fazendo ilustrações para grandes pesquisadores brasileiros e estrangeiros, que foram apresentadas em congressos internacionais e publicadas em revistas científicas de várias organizações do mundo”, diz.
Também marcaram presença na inauguração estudantes do Liceu Claudio Santoro, que participaram de uma visita didática para conhecer as obras da exposição “Imaginário amazônico”. Um deles foi Eduardo Henrique Martins, de 19 anos, que aprovou a proposta do novo espaço cultural da Zona Norte. “Achei magnífico, pois o espaço da arte está quase desaparecendo hoje em dia. E é algo promissor, também, por poder mostrar mais da nossa arte”, afirmou.
Juliana Fonseca, coordenadora do Núcleo de Artes Visuais do Liceu Claudio Santoro, responsável por orientar os alunos na visita didática, assinalou a importância de se ter espaços dedicados à cultura em outras zonas de Manaus. “Dessa forma aproximamos a população das artes em geral, e nesse caso, das artes visuais. As pessoas, às vezes, têm dificuldade de ir a espaços como o Palacete Provincial, ou mesmo desconhecem que tais espaços existem”, declarou. “Isso é fundamental para começar a formar novos artistas”.
Após a inauguração, a exposição na sala Coletiva das Artes seguirá aberta ao público em geral, com visitação gratuita de segunda a sábado, das 10h às 22h, e aos domingos e feriados, das 14h às 20h, de acordo com os horários de funcionamento do shopping.
Programação – “Imaginário amazônico” é a primeira de uma série de mostras previstas até o fim do ano na sala Coletiva das Artes. O espaço e seu entorno no centro de compras deverão receber também shows musicais, exibições de filmes e lançamentos literários, além de oficinas e workshops do Liceu Claudio Santoro. Em frente à sala, duas Caixas Estantes do Programa de Incentivo ao Livro e à Leitura “Mania de Ler” oferecem uma seleção de livros sobre arte ao público do shopping.
Após a exibição de Da Selva, entra em cartaz “Bandeirolas e palafitas”, com obras de Auxiliadora Zuazo, de 23 de maio a 24 de julho. Em seguida, “Memórias Arquitetônicas”, com obras de Moacir Andrade, de 25 de julho a 25 de setembro. Depois é a vez de “Movimento Sem Terra”, com fotografias de Sebastião Salgado, de 26 de setembro a 26 de novembro. A agenda se encerra com “Uma época da Manaus Antiga”, reunindo trabalhos do fotógrafo George Huebner, ficando em cartaz de 27 de novembro a 30 de dezembro.
Traços e cores – Com curadoria de Jandr Reis, “Imaginário amazônico” reúne 30 desenhos de Da Silva Da Selva (1929-2013), escolhidos dentre as 550 obras da coleção do artista amazonense hoje no acervo da Pinacoteca do Amazonas, incluindo desenhos, pinturas, esculturas e outros objetos de arte. As peças já fizeram parte de outras duas mostras: “Amazônia, minha musa inspiradora” (2010), na Galeria do Largo, em Manaus; e “A Amazônia real e imaginária” (2015), em Parintins.
Os desenhos de “Imaginário amazônico” retratam personagens típicos da região, além de paisagens amazônicas, animais, plantas e árvores da região, com precisão e detalhes característicos da ilustração científica. “Ele era um apaixonado pela Amazônia, por sua fauna e sua flora, e deixou um legado dessas maravilhas. Mesmo tendo saído de Manaus muito cedo, para trabalhar no Rio de Janeiro, vinha muito para cá e baseou toda a sua produção nas coisas daqui”, comenta Jandr.
A mostra abrange obras produzidas dos anos 1960 aos 1980, em técnicas como bico de pena, aquarela, esferográfica, lápis de cor e giz de cera. Dentre as peças, Jandr destaca uma série de desenhos em azul, produzidos a bico de pena no final desse período. “É uma série que lembra muito a obra de Portinari, em especial nas criações que fez para a Pampulha, em Belo Horizonte. Da Selva retrata canoeiros, pescadores, figuras do boi-bumbá, entre outras, num trabalho muito bem elaborado e de encher os olhos”, aponta.

