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Mario Frias foi o mais longevo secretário da Cultura de Bolsonaro; veja os outros

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Mario Frias foi o chefe da Secretaria Especial da Cultura que mais durou no governo Bolsonaro -ele tomou posse em 23 de junho de 2020 e permaneceu no posto por quase dois anos até deixar a pasta, nesta quinta, para se lançar a deputado federal pelo PL de São Paulo.

O ex-galã de Malhação foi o quinto escolhido do presidente para a Cultura, pasta fortemente influenciada por Eduardo Bolsonaro e criadora constante de polêmicas nas redes sociais, usadas para animar a base de eleitores do governo com ataques à classe artística.

Frias assumiu após uma passagem de dois meses de Regina Duarte pelo órgão, no início da pandemia -a atriz quase passou mais tempo em "namoro e noivado" com Bolsonaro do que no governo, propriamente. Regina rompeu um contrato de 50 anos com a Globo para assumir a chefia da Cultura e saiu da pasta com a proposta de assumir a Cinemateca Brasileira, algo que nunca se concretizou.

Dias depois de se desvincular do governo, a atriz deu um chilique ao vivo durante uma entrevista na televisão. Ela ficou irritada quando a emissora mostrou um vídeo enviado pela atriz Maitê Proença, pedindo que desse soluções para a classe artística em meio à pandemia.

Na entrevista, Regina também foi questionada por ter se mantido em silêncio diante da morte de diversos artistas durante a pandemia. Ela minimizou o assunto e disse que não queria fazer um "obituário" na pasta. A secretária então foi perguntada sobre as mortes e as torturas do período militar. "Stálin, quantas mortes. Hitler, quantas mortes?", respondeu.

O fantasma do nazismo parece rondar a pasta. O secretário Roberto Alvim, anterior a Regina, foi demitido depois de fazer em vídeo um discurso recheado de referências a Joseph Goebbels, ministro da Propaganda da Alemanha nazista e gerar uma imensa onda de repúdio da opinião pública.

A estética do vídeo, a aparência do secretário, o vocabulário, o tom de voz e a trilha sonora escolhida também fizeram várias personalidades compararem a divulgação à publicidade nazista. Alvim, um ex-diretor de teatro que ficou pouco mais de dois meses na Cultura e sumiu após ser exonerado, reapareceu há poucas semanas, quando lançou uma biografia do lutador de jiu-jítsu Renzo Gracie.

Antes de Alvim, quando a Secretaria Especial de Cultura ainda era vinculada ao ministério da Cidadania -hoje ela é subordinada ao do Turismo-, o cargo foi ocupado por Ricardo Braga, economista sem experiência prévia na área cultural.

Formado em economia e com MBA em finanças corporativas, ele fez carreira no mercado financeiro, em bancos e corretoras. Braga não durou nem dois meses no cargo e foi exonerado para assumir um posto no Ministério da Educação.

O economista havia substituído Henrique Pires, o primeiro secretário da pasta, um jornalista gaúcho próximo do então ministro Onyx Lorenzoni. Ele pediu demissão cerca de nove meses após assumir, por não admitir que o governo impusesse "filtros" à cultura.

A saída de Pires ocorreu pouco depois da suspensão de um edital com projetos LGBT para TVs públicas. Na ocasião, Pires disse à Folha que aquele era a "gota d'água" de uma série de tentativas do governo de impor censura a atividades culturais e que havia meses vinha tentando contornar tentativas de cerceamento à liberdade de expressão.

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