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Em 'Spiderhead', ator de 'Thor' injeta drogas do sexo e da dor em prisioneiros

Por Folha de São Paulo / Portal do Holanda

25/06/2022 13h05 — em
Arte e Cultura



SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Cercada por águas cristalinas e uma flora abundante, a ilha na qual "Spiderhead", novo filme da Netflix, se passa se assemelha a um destino turístico de luxo. Os hóspedes dentro da gélida estrutura de concreto que se ergue imponente da mata, no entanto, não são milionários, mas detentos que estão lá para fugir das temíveis prisões estaduais.

Em Spiderhead, centro que leva o mesmo nome do filme, eles são como ratos de laboratório, testados diariamente por um cientista bonitão e carismático que, como todo cientista excêntrico do cinema mainstream, sonha em mudar o mundo. Chris Hemsworth é quem chefia o local, e administra nos prisioneiros drogas que causam alterações bruscas de humor e comportamento.

Tudo com o consentimento deles, como prova o acordo verbal feito sempre que um novo experimento está para começar. Eles doam seus corpos e mentes à ciência e, em troca, têm quartos espaçosos individuais, comida de primeira, salão de jogos e várias outras regalias jamais vistas em qualquer cadeia comum.

Foi virtualmente que a equipe de "Spiderhead" mostrou as instalações a um grupo de jornalistas durante a pandemia, quando sets de filmagem não admitiam ninguém além do indispensável. De máscara, todos se preparavam para o que seria o 26º dos 42 dias de gravações, depois de serem realocados às pressas dos Estados Unidos para a Austrália, onde a situação estava incomparavelmente melhor, com o início da pandemia.

"Esse filme foi um dos casos raros que puderam seguir em frente mesmo com a chegada da Covid", disse o diretor Joseph Kosinski, o mesmo de "Top Gun: Maverick", à época. "Nós dissemos à Netflix que poderíamos fazer o filme seguindo uma série de protocolos, por causa de sua natureza contida."

"Spiderhead" foi um dos primeiros grandes longas de Hollywood a serem gravados durante a pandemia, justamente pela facilidade em mudar suas locações e pelo fato de que ele é, quase que inteiramente, ambientado na prisão de luxo do título, habitada pelos mesmos poucos rostos.

Adaptada do conto "Escape from Spiderhead", publicada por George Saunders na revista The New Yorker, a trama é centrada no personagem de Miles Teller, um detento de boa índole, mas que foi parar atrás das grades por matar o melhor amigo ao dirigir bêbado. Ele se sujeita a todo tipo de teste com as drogas do personagem de Hemsworth, rindo, sentindo dor ou sendo induzido a torturar colegas de confinamento pelas substâncias injetadas em seu corpo.

Num dos experimentos, ele e outra prisioneira ficam diante um do outro. Eles nunca se viram e não sentem atração um pelo outro. Quando recebem uma dose de uma toxina do amor, no entanto, eles se atracam furiosamente sobre uma cadeira, onde transam com paixão e violência escandalizantes.

"Se você ler o conto, vai notar que ele é uma combinação única de gêneros. É difícil categorizá-lo e, com o roteiro, tentamos capturar e expandir isso. Eu não acho que você pode chamar 'Spiderhead' simplesmente de ficção científica, até porque eu realmente acredito que os experimentos que vemos em cena poderiam muito bem estar acontecendo em algum canto do mundo", afirma Kosinski.

Hemsworth concorda e ainda destaca a discussão sobre drogas que o filme levanta -não necessariamente elas vão te fazer mal, acredita o Thor da Marvel. "Meu personagem está tentando achar substâncias que te deixam feliz, atraído por alguém. Há uma abordagem positiva para o assunto, não é um debate reduzido ao certo ou errado", diz.

SPIDERHEAD

Onde Disponível na Netflix

Classificação 16 anos

Elenco Chris Hemsworth, Miles Teller e Jurnee Smollett

Produção EUA, 2022

Direção Joseph Kosinski



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