Início Arte e Cultura Em dia eclético, Festival de Corumbá dança ao som da cumbia pop e do axé, até desaguar em samba
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Em dia eclético, Festival de Corumbá dança ao som da cumbia pop e do axé, até desaguar em samba

CORUMBÁ, MS— À beira de um grande rio, em cujas margens opostas estão Bolívia e Paraguai, Corumbá não parece guardar semelhanças com o Rio de Janeiro. Mas os nativos juram: a Cidade Maravilhosa é a grande referência para a (distante) prima sul-mato-grossense.

— É por causa da Marinha, que, sediada no Rio, instalou-se aqui, estabelecendo um intercâmbio entre as duas cidades — dizem os corumbaenses. —É por isso que todo mundo aqui torce para os times cariocas () e também a razão pela qual a cidade tem dez escolas de samba.

Uma dezena de grêmios recreativos para uma cidade de pouco mais de 100 mil habitantes é uma média impressionante, maior do que a do próprio Rio. E foram as escolas corumbaenses que, unidas, desceram as ladeira em direção ao porto no início da madrugada deste domingo, encerrando com batuque o terceiro dia do Festival América do Sul Pantanal.

O evento seguiu sua agenda de começar pequeno, pela manhã, e ir crescendo ao longo do dia. Um passeio de barco pelo Rio Paraguai, às 8h, reuniu violeiros de cocho (um instrumento típico do Pantanal, que, acompanhado de um ganzá, embala canções românticas e dolentes) e um grupo de teatro amador, que encenava uma peça passada na Corumbá de séculos atrás.

À tarde, a mistura dos povos começou a ficar mais evidente com a apresentação do grupo Dami Baz e a Babel, que misturava português, espanhol e guarani, ao som de instrumentos diversos, alguns típicos da região. Em seguida, apresentou-se um legítimo paraguaio, um dos maiores nomes do rock contemporâneo: Rolando Chaparro, cantor, compositor e professor de 52 anos, que une rock e jazz a ritmos paraguaios para cozinhar um folk-rock progressivo (a exemplo dos peruanos Del Pueblo Del Bairro, mas mais pesado) de alta qualidade.

— Esta é uma polca superacelerada, composta sobre o ritmo dos tamborineros, os afrodescendentes do Paraguai —apresentou ele, que fez questão de explicar todas as músicas.

Além das composições de Chaparro _ normalmente longas, com grandes trechos instrumentais, em que ele também mostrava os dotes de guitarrista —, versões para "Certas coisas", de Lulu Santos, e "Hermanos irmãos", do trio folk-violeiro local de mesmo nome.

Do Paraguai profundo para a Colômbia dançante com o Puerto Candelaria, trio pop incendiário que tem a cumbia como base para armar um pula-pula sem fim, embalado por canções como "Amor y deudas" e "La murga", além de uma versão de "Rock lobster", dos B-52's, com um clima anárquico tipo Gogol Bordello.

O povo já estava pulando na praça, e pulando permaneceu com a entrada, às 23h, de Daniela Mercury, artista de maior cachê do festival. A baiana prometia o show Banzeiro, mas apresentou mesmo uma coleção de sucessos, dos próprios ("Swing da cor", "Nobre vagabundo") a Legião Urbana ("Tempo perdido"), Raul Seixas ("Eu nasci há 10 mil anos atrás") e marchinhas de carnaval como "Mamãe eu quero". A madrugada ia alta na cidade quando o cortejo carnavalesco desceu a ladeira, ao som de sambas-enredo clássicos das escolas do Rio, rumo ao palco à beira do Rio Paraguai, onde o pagode não tinha hora para acabar.

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