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Conheça Jon Batiste, que fez a trilha-sonora de 'Soul' e lidera indicações do Grammy

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em um apartamento cheio de familiares, amigos, a namorada de longa data, ativistas e colaboradores musicais, a TV ligada anunciava os concorrentes do Grammy 2022 e cada vez que o nome de Jon Batiste era citado, todos entravam em festa.

Ao final da nomeação, Jon Batiste havia angariado 11 indicações, marca ultrapassada apenas duas vezes na história da premiação — por Michael Jackson, em 1984, e por Babyface, em 1997.

Jon Batiste é considerado um expoente do jazz atual e vem de uma longa linhagem de New Orleans, sua cidade natal. Seu pai, baixista, tocou com lendas como Isaac Hayes e Jack Wilson e co-fundou a Batiste Brothers Band, que chegou a ter 23 membros da família. Entre seus tios e primos, estão músicos que já fizeram parte do Funky Meters, uma das bandas mais importantes de New Orleans.

Pianista, cantor e compositor, Batiste começou tocar bateria aos oito anos, aos 11 mudou para o piano e, aos 13, já liderava a própria banda. Quatro anos mais tarde, começou cursar estudos de jazz na Juilliard School. Foi também com essa idade que lançou seu primeiro álbum, "Times in New Orleans", e começou a fazer turnês pelo mundo.

Ele já se apresentou e gravou com inúmeros artistas, entre eles Prince, Wayne Shorter, Wynton Marsalis e Stevie Wonder. No ano passado, foi o segundo compositor negro a ganhar o Oscar de Melhor Trilha Sonora Original, sucedendo Herbie Hancock, em 1986, por seu trabalho em "Por Volta da Meia Noite", uma adaptação do livro "Dance of the Infidels: A Portrait of Bud Powell", de Francis Paudras, dirigido por Bertrand Tavernier.

A verdadeira carta de amor ao jazz, feita especialmente para a lindíssima e tocante animação "Soul", a primeira que tem como protagonista o pianista Joe Gardner e personagens negros da história, com consultoria de Hancock e composições originais de Batiste em parceria com Trent Reznor, líder do Nine Inch Nails e Atticus Ross.

O multifacetado artista ainda é diretor do National Jazz Museum do Harlem, diretor musical da revista de arte e cultura The Atantic, compôs uma sinfonia de 40 minutos, a ser apresentada em maio de 2022 por mais de 200 músicos no Carnegie Hall, onde também trabalha como curador.

Em 2014, ele apresentou com sua banda Stay Human o single "Express Yourself". Um ano depois, o grupo foi anunciado como residente no The Late Show, com Stephen Colbert. Antes da fama, no entanto, a banda costumava fazer shows nos metrôs de Nova York com a ideia de difundir o jazz.

Seus projetos futuros ainda incluem um musical da Broadway, que retratará a vida de Jean-Michel Basquiat.

O ativismo é outra característica de Jon Batiste. Basta escutar, por exemplo, "Down By The Riverside", música que costumava ser entoada por escravos nos campos de trabalho do sul dos Estados Unidos e que já foi gravada por nomes como Louis Armstrong, Nat King Cole e Sister Rosetta Tharpe, promoveu marchas em protesto pelas mortes de pessoas negras pelas mãos da polícia.

Em março de 2021, Batiste lançou o tão comentado álbum "We Are", grande responsável por colocá-lo na concorrência dos Grammys. Ele foi indicado por gravação do ano, com "Freedom"; disco do ano, com "We Are"; melhor performance de R&B tradicional, com "I Need You"; melhor disco de R&B, com "We Are"; melhor performance de american roots, cok "Cry"; melhor música de american roots, com "Cry"; melhor composição clássica contemporânea; melhor videoclipe, com "Freedom".

As indicações incluem também seu trabalho em "Soul" nas categorias melhor solo de jazz improvisado, com "Bigger Than Us", melhor trilha sonora para mídia visual e melhor disco de jazz instrumental.

Batiste, com 35 anos, já tem vários discos lançados, é dono de uma energia e presença de palco incríveis e um dos principais responsáveis por popularizar o jazz, porque sua música é uma mistura deliciosa do jazz tradicional com soul, rhythm & blues, funk, pop e batidas afro-caribenhas.

"We Are" conta com participações de Quincy Jones, Trombone Shorty, entre outros. Na faixa título, inspirada pelo movimento Black Lives Matter, o gospel é parte importante com a participação dos coros do St. Augustine High School Marching 100 e do Coral Gospel Soul Children.

Mavis Staples, uma artista muito reconhecida por sua contribuição na luta pelos direitos humanos, faz um poderoso interlúdio entre "Adulthood" e "Freedom". O álbum tem um tom político, mas é leve, dançante e alegre. A deliciosa "I Need You", com uma pitada do swing das Big Bands dos anos 1950, do Boogie-Woogie e versada ao estilo rap, está lá para mostrar isso. Sãoo misturas que se encaixam muito bem e vem agradando muito, público e crítica. Onze indicações Grammy, afinal, não são para qualquer um.

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