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Desmatamento na Amazônia explica o novembro mais quente desde 1981

Desmatamento na Amazônia explica o novembro mais quente desde 1981
Desmatamento na Amazônia explica o novembro mais quente desde 1981

Em novembro desse ano de 2020, foi registrado 0,77ºC a mais do que a média do mês registrada de 1981 e 2010 e 0,13ºC a mais do que o recorde de novembro de 2019. A média de temperatura é em 1,28ºC maior do que a registrada na era pré-industrial, chegando a quase 1,5ºC, que foi o estabelecido em 2015 pelo Acordo de Paris sobre o clima.

Segundo o relatório do Serviço de Mudança Climática Copernicus (C3S) da União Europeia, os últimos anos entre 2015 e 2020, foram os mais quentes da história, e cada década a temperatura média global aumenta cerca de 0,2ºC, desde a década de 70.

O professor do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE-USP) e coordenador, Pedro Luiz Côrtes, o aumento nas taxas de temperatura crescentes são causadas basicament pela concentração de gases de efeito estufa, por conta do uso excessivo de combustíveis fósseis e ao desmatamento.

A emissão de gases de efeito estufa, como dióxido de carbono, metano e óxido nitroso aumentou significativamente, atingindo um efeito de aquecimento de 43%, maior do que na década de 1990, segundo o outro relatório feito em 2018, feito pela Sociedade Americana de Metereologia.

 

Mas o que o desmatamento na Amazônia tem haver com isso?

 

Segundo o professor Cortês, através dos ventos equatoriais, a região amazônica recebe umidade do Oceano Atlântico, que precipita e irriga o subsolo. Entretanto, as árvores com raízes profundas, características da floresta, drenam a água do subsolo e devolvem umidade para a atmosfera em forma de vapor.

Já com o desmatamento, isso não é possível, ou seja, as chuvas que deveriam se formar na região amazônica e molhariam todo o país, deixam de existir. E também, sem as árvores que absorvem o dióxido de carbono da atmosfera, a concentração desse gás é ampliada.

De acordo com os dados do dia 30 de novembro do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), entre agosto de 2019 e julho de 2020, a área de desarborização na Amazônia chegou ao nível mais alto desde 2008, com cerca de 11.088 km2.

Esses impactos do desmatamento influenciam desde a alta temperatura até as mudanças hídricas importantes até a produção de energia elétrica. A chuva que deveria chegar aos reservatórios de hidrelétricas não chega, e as tarifas energéticas aumentam. Um exemplo é o Sistema Cantareira, que é abastecido por essas precipitações que se formam na Amazônia.

Atualmente, pesquisadores falam sobre uma adaptação às mudanças climáticas que envolvem políticas de reflorestamento e a redução de emissão de gases. No entanto, nossos líderes mundiais têm caminhado no sentido contrário, como no começo de novembro, Donald Trump, formalizou a saída dos EUA do Acordo Climático de Paris.

“O Acordo de Paris não foi projetado para salvar o meio ambiente. Foi projetado para matar a economia americana”, defendeu Trump, que termina seu mandato este ano.

Após a saída de Trump do Acordo, o governo do presidente Jair Bolsonaro suspendeu em agosto deste ano, todas as operações de combate ao desmatamento ilegal na Amazônia, devido ao bloqueio financeiro de R$ 60 milhões destinados ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e ao Instituto Chico Mendes (ICMBio), responsáveis pelo trabalho de preservação ambiental no país.

“O que os negacionistas menos utilizam é ciência. Eles não são adeptos de visão científica em qualquer área. São extremamente fundamentalistas em suas ideias, sem uma base científica, metodológica. Isso causa um retrocesso no desenvolvimento de políticas públicas que poderiam ter resultados muito importantes” alerta Cortês.

 

 

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