Como foi a ação que resultou nessas duas baixas ?
Fontes - Uma ação rotineira, mas planejada. Eles sairam em um barco (Bora) e duas lanchas rápidas para fazer abordagem de rotina e interceptar substâncias entorpecentes conforme temos feito nos últimos dias e apreendido grande quantidade de drogas. Agora eles estavam melhor armados, estavam pelo menos com dois fuzis e reagiram a abordagem policial.
Qual o próximo passo ?
Fontes - Agora estamos montando uma operação. Um cerco policial, com ajuda da Polícia Militar e da Civil, e qualquer outro apoio que se faça necessário, para capturar, prender e levar a Justiça esses assassinos.
Essa quadrilha já estava sendo investigada? Como foi a abordagem feita pelos federais ?
Fontes – A origem é tríplice fronteira. É claro que a gente não sai sem que tenhamos uma possibilidade de abordagem. Estávamos fazendo uma busca de rotina, fiscalizando inclusive todas as embarcações que estavam descendo o rio.
O senhor disse que o modus operandi não era esse , que a Federal sempre prendia mulas, mas depois da ação de hoje o senhor acha que já começam a entrar em ação soldados do tráfico para reagir contra a Polícia Federal?
Fontes - Olha simples mulas não manuseiam fuzis e trocam tiros com a policia. No entanto isso é uma situação, uma circunstância. Muita droga apreendida, muito tempo sem traficar, sem colocar droga no mercado por conta da vazante. Necessidade de colocar grandes quantidades e uma chefia da organização criminosa disposta a enfrentar o poder público. Agora é claro que nós estamos dispostos a enfrentá-los. As nossas operações não vão parar. Lamentamos. Nós vamos continuar e agora de maneira mais intensa. Esses que reagiram a bala serão encontrados. Nós só vamos parar as operações quando nós os encontrarmos.
Narcotraficantes do Peru também têm atuado em nossa região. Esse grupo que reagiu a abordagem da Federal, era composto de peruanos?
Fontes - Não. Nós não temos essa informação, até porque nós estávamos fiscalizando de maneira genérica. Nossa atuação na fronteira vai de postos (ações bases), ações de inteligência e patrulhas. Faz parte da nossa rotina realizar patrulhas. Isso é o dia a dia. O que eles estavam fazendo era realizando patrulhas. E essas patrulhas são inclruives um pouco mais perigosas porque nós não temos informações privilegiadas. Existe um risco a mais. Também nós não podemos contar apenas com as bases fixas ou com a inteligência que não dá conta de tudo. Sua pergunta sobre os peruanos. Sim, o Peru é segundo maior produtor de cocaína. Não se tem como saber se a droga apreendida é de peruano. Porque peruanos vendem para colombianos que vendem para brasileiros, que fazem cartel e consórcios. Quando você pega um carregamento de droga com varias cores são de vários grupos criminosos que colocara sua droga ali para escoar. O tráfico é um grande negócio. Por isso que nos surpreende essa ação de hoje. Ou sej,a reagir à bala por qualquer quantidade que estão trazendo
Vocês conseguiram apreender alguma droga na ação?
Fontes - Não. Pela descrição do policial da última visão do Roberval, que disse ser uma voadeira motor 40 HP, estava a deriva. Se havia alguém dentro baleado. Se eles caíram na água e nadaram para a selva ou se eles morreram isso nós só vamos saber no decorrer da operação que estamos realizando em toda a região. Não recuperamos a voadeira porque tínhamos um policial com um tiro na perna e dois policiais que para os nossos colegas ainda estavam vivos e a prioridade era socorrê-los
Qual o tipo de armas eles usaram?
Fontes – Eles usaram fuzis. Não sei o calibre. Eles usam muito o AK 47 e o Galil Israelense. O Galil é a arma das forças de ordem peruanas e colombianas e eventualmente são roubadas e furtadas. Nós já fizemos apreensões dessas armas.
O senhor falou que é fora da rotina o confronto. Teve algum nos últimos meses?
Fontes – A casuística de confrontos na região é muito pequena. Esse ano aumentou, já tivemos três ou quatro incidentes desse tipo. Tivemos um na região de Santo Antônio do Içá, onde saiu um PM ferido, mas prendemos todo mundo em 24 horas. Tivemos outro também em Santo Antônio do Içá e por último tivemos um na Ilha da Manchantaria, onde houve um tiroteio. Como disse antes, existe uma mudança de paradigma. Eu quero crer que não é por falta de droga, mas por conta das apreensões e da necessidade de colocar droga no mercado. Com a droga parada, os laboratórios de refino não servem para nada. O traficante precisa transformar a droga em dinheiro. Quando ele não consegue colocar a droga no mercado consumidor , quando ele não consegue fazer dinheiro, bate o desespero. Ele não consegue pagar suas dívidas, seus subornos, suas contas, então bate o desespero. A Polícia Federal tem sido um problema para eles. Então começaram a reagir mais pesado.
Qual a ação na região para prender os traficantes?
Fontes – Temos um hidroavião, sobrevoando toda região. Nós estamos com 10 homens do Grupo Fera, 30 policiais federais e mais um número que não sei informar do grupo Raio da Polícia Militar. Vamos montar uma base onde houve o evento e a partir dali vamos fazer um pente fino em toda a região.
Quantos quilos de cocaína a Superintendência da PF, já apreendeu esse ano?
Fontes – Mais de duas toneladas. Número bem superior ao ano passado quando apreendemos 1 tonelada e 700 quilos. E essa cocaína apreendida é de 99% de pureza, podendo ser convertia ai em três ou quatro vezes mais. E apreendemos ainda esse ano 200 quilos de maconha
Quantos traficantes estavam na lancha e trocaram tiros os agentes?
Fontes – Quatro meliantes. Veja era muito escuro, eles atiraram no clarão nosso e nós atiramos no clarão deles. Veja, essa é uma impressão que colhi de quem estava lá
As lanchas da Polícia Federal têm blindagem?
Fontes – Não. Nós não temos nenhuma lancha com blindagem na nossa região. Lanchas com blindagem para quem opera na região, a blindagem pesa. Pesando diminui autonomia . Os recursos da Polícia Federal são limitados. Se vocês pegaram ano passado, retrasado, nós não vamos ter eventos de tiroteio, nós não temos eventos de tiroteio e muito menos vitimas, de nenhum lado, até porque a polícia respeita todas as regras de engajamento e quais são essas regras – avisar, se identificar como policial, pedir para que coloquem as mãos na cabeça, agir como agente da lei, dentro da legalidade respeitando os direitos humanos. Já o meliante não. E nesse caso nós estamos em desvantagem
Diante desse fato que ocorreu o senhor já pensa em blindar as lanchas?
Fontes – É possível que sim. Vamos fazer um estudo se isso continuar. E tenho a certeza de que o Departamento vai adequar os nossos equipamentos à realidade. Por exemplo agora nesse evento, nós tínhamos as melhores armas, fuzis, o visor noturno, inclusive com uma visão termal, tínhamos bons homens treinados, inclusive o mais novo, mas em face de respeitar a lei e os diretos humanos nós entramos numa situação engajamento de confronto em desvantagem . E por que em desvantagem? Nós não podemos chegar atirando. Chegamos nos identificando como policia pedindo para a outra parte se entregar. A partir do momento que ela atira, ai reagíamos e dependendo do armamento essa reação pode ser arriscada e tardia.
O senhor acha que se as lanchas fossem blindadas haveria uma chance para os policiias que morreram?
Fontes – Fica difícil precisar isso ai
Mas as chances aumentariam?
Fontes – É lógico que aumentariam. Num evento desse é lógico

