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Ricardo versus Sinésio. Eles não se entendem

Na segunda-feira 16, o PT regional decidiu dar apoio formal ao governo Omar Aziz. Na terça-feira o deputado José Ricardo, no primeiro mandato e na cota da oposição, informou no plenário da Assembleia Legislativa que seguirá a atuar como sempre, na fiscalização do governo. Já o deputado Sinésio Campos, líder do governo e do PT, disse que nenhum membro votou contra a decisão, informação contestada por José Ricardo, em entrevista a jornalistas, conforme pode ser verificado aqui.

P -  PT regional acaba de decidir pelo apoio ao governo Omar Aziz. E agora?

R - Ontem (segunda-feira), na decisão, eu me manifestei contrário à participação do PT no governo do Estado. E o nosso coletivo não votou a favor. Eu não sou da direção (estadual), mas a gente participa das reuniões e o nosso coletivo não votou a favor da participação. Mas a maioria assim decidiu e, portanto, o PT vai participar oficialmente do governo.

P - Então a decisão não foi unânime?

R - Não, não foi.

P - Mas o deputado Sinésio acabou de dizer que nenhum membro da Executiva votou contra.

R - Não, não. O nosso coletivo não votou.  Um não estava e o outro não votou a favor, não. Agora, o que acontece é que não há uma deliberação que afete os parlamentares. Porque no PT se entende que uma coisa é governo, a outra é o parlamento. Então a decisão de ontem não tratou nada da atuação dos parlamentares. A gente sempre tem essa questão de que parlamento é uma questão que deve ser de parlamentar. Não vincula a participação de estar no governo a sua atuação parlamentar. Quem está no governo, vai estar lá cumprindo uma missão e quem está no parlamento, vai fazer a sua parte. Então eu vou continuar do mesmo jeito.

P - O sr. vai continuar sendo oposição?

R - Eu vou continuar fazendo aquilo a que a gente se propôs desde o primeiro dia: fiscalizar o governo, apresentar proposta. Nós somos muito propositivos, numa linha crítica de fiscalização, mas sempre com propostas. Nós vemos a grande necessidade de se discutir as políticas do Estado e essa participação de estar no governo, conforme o texto que foi aprovado, fala da cobrança da transparência. E eu vou cobrar, já que o PT decidiu estar no governo e que vai cobrar uma gestão com transparência. O texto também fala de ter uma posição crítica. Mas o parlamentar pode ficar à vontade em relação a isso. Então não há nenhuma deliberação determinando que a postura tanto do Sinésio como do Zé Ricardo seja diferente do que era antes.

P - Não fica meio complicado isso, pelo fato de o deputado Sinésio ser o líder do PT, no caso o seu líder, e o sr. estar meio desobediente?

 R - Na verdade, o PT não decidiu sobre a liderança. Ele era o líder no governo passado e continua, mas não houve deliberação. Eu continuo fazendo a minha parte, como sempre fiz.

P - as a oposição conta com o sr ...

R - É porque, quem nos elegeu não foi o governador, foi a população. E em nome do PT nós  temos que continuar  nessa linha. E essa decisão foi manifestada dentro do partido.

P - O sr. não teme nenhuma represália do PT?

R - Veja bem, eu não estou desobedecendo ao PT. Como eu disse, o PT decidiu participar do governo porque, quem defende a participação, diz que o governo estadual é aliado do governo federal. Então acredita que seria importante estar no governo estadual. Mas do lado do legislativo, isso não foi deliberado. Você não tem camisa de força, não existe nada que impeça o seu trabalho como fiscal do governo.  Uma coisa é estar no governo, outra é o legislativo. Não porque está lá que o parlamentar se sinta obrigado a não falar mais nada, não questionar mais nada. E nós temos muito o que tratar. O interior está abandonado, não há transparência em relação aos recursos públicos, você não tem nada no site para dizer como andam as obras. Estou visitando o interior, visitando obras abandonadas, paradas, obras mal feitas. Então, vamos continuar o trabalho, essa é a nossa obrigação, inclusive é estatutário isso aí.  Lá no estatuto não há nenhuma restrição  em relação a atuação dos parlamentares. Salvo quando o partido decide alguma questão específica.  Ontem não foi tratado nada sobre isso.


P - O PT não deliberou que o deputado Sinésio é o líder do partido?

R - Não. Ele é líder do governo, porque o governo gosta dele, por alguma razão e segundo ele, porque eu também não vi o governador falar isso. Ele é o líder do governo aqui na Assembleia Legislativa. Não cabe a mim falar sobre uma decisão do governador. Agora, na reunião de ontem, ninguém falou sobre isso, ninguém tratou sobre a liderança do PT.
 
P - O deputado Sinésio chama o sr. de vice-líder...
 
R - Como só tem dois deputados, nesse caso é.

P - Quanto o tempo o sr vai aguentar assim?

R - Eu não tenho nenhuma dificuldade. Acho que não é questão de aguentar, é continuar. Eu, Praciano (deputado federal Francisco Praciano), o Waldemir José (vereador), nós fazemos parte de um coletivo dentro do PT. Somos contra a corrupção, o fórum contra a corrupção que está se instalando aqui em Manaus no dia 23, nós fazemos parte desse fórum. Um fórum exatamente para, junto com a sociedade, fiscalizar a atuação e os gastos do governo  federal, estadual e municipal.  E estamos muito bem, sem nenhum problema. (risos)

P - Não fica esquisito assim para o público, dois deputados do PT, um defendendo o governo e o outro criticando o mesmo governo?

R - Pois é, a sociedade precisa entender. Eu considero que tenho de ser o mais coerente possível. O político pode até ser aliado, mas  acho que o melhor aliado é aquele que está critica os problemas que estão acontecendo. Se ele quer o bem do governo, tem de ser o primeiro a fazer a crítica, apontar o erro  e cobrar solução. A gente não tem nada pessoal contra o governador, ou dirigente A, B ou C.  A gente acha que a gestão pública tem de melhorar. O atual governo veio com muitas promessas e até agora, na área de segurança, por exemplo, nada. Hoje a maior preocupação da sociedade  é com a falta de segurança.  Seja pobre, seja rico, seja qual for o bairro,  a gran

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