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Projeto em Humaitá testa eficiência da aquaponia na produção de peixes e verduras

Projeto em Humaitá testa eficiência da aquaponia na produção de peixes e verduras
Projeto em Humaitá testa eficiência da aquaponia na produção de peixes e verduras

Manaus/AM - Praticada há mais de 30 anos em diversos países, a aquaponia, que é uma alternativa inovadora que pode diversificar a forma como se produz alimento de forma sustentável, está sendo estudada no Instituto de Educação, Agricultura e Ambiente (IEAA) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), situado no município de Humaitá, para produção de peixe e hortaliças.

Já praticadas no Amazonas, a hidrocultura ou hidroponia (técnica de cultivar plantas sem o uso de solo, normalmente em solução de água e nutrientes) e a aquicultura ou aquacultura (tratamento do ambiente aquático para a criação de peixes, mariscos, répteis, plantas  etc) costumam funcionar isoladamente. Na aquaponia, no entanto, as duas trabalham de forma complementar, já que esta trata todo o efluente  (resíduo líquido dos tanques) - antes desperdiçado na hidrocultura e na aquicultura.

Com apoio da Ufam em Humaitá, o projeto “Avaliação de um sistema de aquaponia em escala semicomercial como potencial fonte de alimentos frescos e saudáveis para populações urbanas” foi selecionado pelo Programa de Apoio à Fixação de Doutores no Amazonas (Fixam), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), tendo o IEAA como local de aplicação.

A coordenadora, pesquisadora Otilene dos Anjos Santos, explica que o projeto está em fase final de execução.  “A aquaponia integra as técnicas de aquicultura (criação de peixes) e hidroponia (produção de plantas sem solo). A vantagem é que a técnica permite utilizar os dejetos dos peixes para adubar as plantas. Ou seja, é uma produção orgânica com benefícios sócio ambientais. A água com nutrientes circula no sistema de forma que não há necessidade de adição de fertilizantes como ocorre na hidroponia. Além disso, não faz uso de agrotóxicos para as plantas e nem antibióticos aos peixes. É, na verdade, um ecossistema vivo produzindo alimento de fonte animal e vegetal ao mesmo tempo”, revela.

As pesquisas sobre aquaponia no Brasil são realizadas principalmente com tilápias, explica a coordenadora, afirmando que  ela e sua equipe estão utilizando a técnica para testar o efluente de tambaquis (Colossoma macropomum) como fonte de nutrientes para adubar as hortaliças, sendo este um dos dois principais problemas investigados no trabalho e que ainda não possui registro científico.

Como no estado do Amazonas não é permitido o uso de espécies exóticas na aquicultura, é preciso investir em pesquisas com os peixes nativos e ver a viabilidade de criá-los em um sistema inovador, explica Otilene.

“O segundo problema é selecionar algumas espécies-chave que são mais efetivas na filtragem dos nutrientes e com isso melhoram a qualidade da água. Todo tipo de hortaliça folhosa pode ser produzida na aquaponia, mas umas são mais eficientes que outras e isso tem um peso grande quando estamos falando em tratar os efluentes da aquicultura”, argumenta.

Por serem pioneiros em trabalhar com um sistema dessa escala, é preciso avaliar se vale a pena investir nessa tecnologia inovadora para que ela seja acessível ao pequeno e grande produtor. “Estamos realizando testes como, por exemplo, testando a eficiência de cariru (Talinum triangulare) e do manjericão (Ocimum basilicum) em limpar a água principalmente retirando compostos como nitrato e fosfato, dois dos principais nutrientes que causam eutrofização de rios, igarapés quando não tratados (na aquicultura). Os resultados preliminares mostraram que o cariru é bem mais eficiente que o manjericão”, aponta a coordenadora.

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