Leia abaixo rápido debate travado na manhã desta quinta-feira entre o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, e o deputado Francisco Praciano (PT) sobre a necessidade de manter (Praciano) e repensar ( Pimentel), o modelo Zona Franca de Manaus:
“Sr. Ministro, (...)Hoje, nós vivemos em uma cidade de 2 milhões de habitantes, a 8ª maior cidade do país vivendo exclusivamente da Zona Franca. (...)Hoje, você pega uma televisão da Panasonic e lá dentro dela estão embutidas várias tecnologias. A diferença de um televisor para um celular, hoje, é, basicamente, o tamanho e, portanto, a convergência digital transforma tudo isso em produto de informática. Existe uma lei de informática no Brasil que dá benefícios iguais para todos os Estados e, portanto, tira competitividade da Zona Franca de Manaus, porque em 44 anos nem o governo federal e nem o governo do Estado tiveram visão estratégica.
Nós temos R$ 35 bilhões de faturamento na Zona Franca de Manaus, hoje, mas não podemos dizer que temos um porto ou um aeroporto. As mercadorias, hoje, dessa indústria que produz R$ 35 bilhões de faturamento por ano estão na pista do aeroporto sob lona. Não temos uma Universidade produzindo doutores, produzindo mestres, pesquisando tecnologias. A logística daquela área é tão pequena que não gera nenhuma atratividade de capitais externos. Além disso, a lei de informática nos compara, nos iguala e, na igualdade, as empresas preferem ir para São Paulo, ou outros Estados, por conta da facilidade de logística. Mas a realidade é que nós temos uma cidade que não pode perder a Zona Franca, sob pena de voltar a ser um porto de lenha, um porto de prostituição, um porto de insegurança.
O governo tem que ter um modelo de desenvolvimento para a Amazônia, precisa investir em tecnologia, criar uma economia alternativa, sob pena de ficarmos com um problema na questão ambiental, mantendo tudo intacto mas passando fome. Temos que salvar o Estado do Amazonas e a Amazônia. Isso não é uma questão de manauara. O Brasil precisa salvar a Amazônia e precisamos ter diferenças, nesse momento, de políticas, não só para premiar os Estados que já têm opções, mas também para salvar aqueles que não têm opções.
A minha pergunta é: O que se pode fazer para manter uma sobrevida da Zona Franca de Manaus e, ao mesmo tempo, o governo investir em pesquisa, em tecnologia, o que hoje não acontece? O que é, nesse momento e agora, que o governo federal pode fazer, uma vez que a lei de informática está basicamente fechando a Zona Franca de Manaus?
Resposta do .Ministro Fernando Pimentel:
“...(..)O deputado Praciano fez uma intervenção extremamente pertinente e aguda sobre a questão colocada, que não é uma questão do Amazonas, deputado Praciano, é uma questão do Brasil. O Sr. falou com muita propriedade. O Brasil tem que resolver esse problema. A floresta amazônica, em grande medida, não foi totalmente devastada, destruída, porque há 30 anos atrás – não sei se esse é exatamente o tempo – criou-se uma alternativa econômica, que foi a Zona Franca de Manaus e que agora, não em função da vontade política deste ou daquele governo federal, deste ou daquele governador, mas em função da mudança de paradigma da produção industrial no mundo inteiro, está ameaçada. O modelo da Zona Franca está ameaçado. Nós precisamos repensar, nós precisamos, de alguma maneira, vocacionar de novo. O deputado Praciano sabe que eu compartilho essa preocupação e que nós temos que, ao fazer essa revocação da Zona Franca, apontar na direção daquilo que o deputado Sirkis falou aqui, que é uma economia de base ecológica, de base sustentável, uma economia verde. E, pra isso, não tem melhor localização do que a nossa Zona Franca, com o aparato que está em torno e que até hoje não foi bem utilizada pelos sucessivos gestores públicos.

