Manaus/AM - A Polícia Federal foi até a Associação Solidária Humanitária do Amazonas (Asham) na tarde desta quarta-feira (26), acompanhada da Prefeitura de Manaus, para uma vistoria do espaço, investigado por suposto tráfico humano. A organização-não governamental está localizada na rua Emílio Ruas, bairro São Jorge, Zona Oeste de Manaus.
Os policiais foram à sede verificar se crianças e adolescentes ainda estariam frequentando o local. As crianças e adolescentes indígenas traficadas eram levadas para a Turquia. O local não chegou a ser fechado, mas segundo o conselheiro tutelar da Zona Oeste, Cosme de França, não possui condições para funcionamento: "O local não tem tem espaço suficiente. Tem os quartos, a sala, mas não é um local adequado, não tem nem acessibilidade nem para um cadeirante. Não tem nem como isso funcionar. Tem toda uma que é necessária, documentação, todo um procedimento, autorizações e não tem isso", afirmou.
De acordo com a PF, os suspeitos de comandar o esquema são de origem turca. Eles iam até uma comunidade rural de São Gabriel da Cachoeira, para aliciar famílias em situação de vulnerabilidade social a autorizarem o envio de seus filhos para estudarem na Turquia. Porém, os jovens acabavam sendo transportados para a sede da associação em Manaus, onde eram doutrinados ao islamismo. Após o "preparo", eram levados a São Paulo e encaminhados à Turquia.
Cinco indígenas foram deportados da Turquia por estarem sem visto de permanência. Eles ficaram detidos cerca de três semanas em Istambul até voltarem para o Brasil com o turco Abdulhakim Tokdemir, apontado como líder da Asham. Segundo a PF, as vítimas já estão em São Gabriel da Cachoeira, com suas famílias.
A Polícia Federal revelou ainda que no último dia 12 de julho, realizou a detenção do passaporte de um dos investigados, de origem turca, que seria Abdulhakim Tokdemir. Também foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão, sendo um na casa do investigado e outro na própria associação.



