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Pesquisa detecta altos níveis de mercúrio em peixes do Rio Madeira

Pesquisa detecta altos níveis de mercúrio em peixes do Rio Madeira
Pesquisa detecta altos níveis de mercúrio em peixes do Rio Madeira

Manaus/AM - Uma pesquisa realizada pelo ProQAS-UEA (Programa de Monitoramento de Águas, Ar e Solos) identificou níveis elevados de mercúrio em peixes da Bacia do Rio Madeira, entre os municípios de Humaitá e Manicoré, no Amazonas. 

A análise de 29 amostras de peixes revelou que o nível de mercúrio em algumas delas ultrapassou seis vezes o limite permitido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que é de 0,5 micrograma por grama do pescado.

De acordo com o professor Sérgio Duvoisin Junior, doutor em Engenharia Química e responsável pela pesquisa, 18 das 29 amostras estavam contaminadas. O jaraqui, uma das espécies analisadas, apresentou níveis de mercúrio preocupantes, com 11 das 14 amostras excedendo o limite estabelecido. 

A pesquisa, que contou com a parceria da Universidade de Harvard, é um alerta para os possíveis riscos à saúde humana. O mercúrio é um contaminante acumulativo no corpo, e sua presença nos peixes afeta toda a cadeia alimentar da região.

O garimpo ilegal, comum na região, é uma das principais fontes de contaminação por mercúrio. O uso desse metal nos processos de extração de ouro no Rio Madeira contribui para o agravamento da poluição nos rios. 

A pesquisa continuará com a coleta de mais amostras no ano que vem, com planos de expandir o monitoramento para outras áreas da Bacia Amazônica, como o Rio Solimões. Em 2025, o projeto irá realizar análises dos pescados consumidos em Manaus e em outras regiões.

Além disso, um laboratório para análise de mercúrio será construído dentro da UEA, com o objetivo de acelerar os resultados das pesquisas. O projeto recebeu um financiamento de R$ 14 milhões do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), o que permitirá um monitoramento mais eficiente e rápido da contaminação.

O estudo também ressalta a vulnerabilidade de grupos como garimpeiros, suas famílias e pessoas que consomem peixe regularmente, especialmente mulheres em idade fértil e crianças, aos efeitos do mercúrio. O combate ao uso do mercúrio e ações de vigilância em saúde são fundamentais para reduzir os riscos à saúde da população da região.

 

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