Um projeto de pesquisa desenvolvido na Comunidade Terra-Preta, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Negro busca desenvolver o potencial de utilização e beneficiamento de madeiras oriundas de resíduos florestais visando agregação de valor.
Denominada “Otimização do uso da madeira através do design interativo”, a pesquisa é coordenada pelo engenheiro florestal do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Gil Vieira e tem apoio financeiro do Governo do Estado, por meio do Programa de Apoio à Pesquisa – Universal Amazonas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam).
A pesquisa é desenvolvida na Comunidade Terra-Preta da RDS do Rio Negro por contar com uma marcenaria instalada e ter tradição na confecção de objetos de madeira. A RDS se estende de Manaus a Iranduba (a 27 quilômetros da capital) e Novo Airão (distante 115 quilômetros da capital).
O Universal Amazonas apoia pesquisas científica, tecnológica e de inovação, ou de transferência tecnológica, em todas as áreas do conhecimento, que contribuem para o desenvolvimento socioeconômico e ambiental do estado.
Entre os objetivos do projeto estão equacionar os interesses ambientais e sustentáveis com os processos de criação nas atividades projetuais e produtivas, empregando uma metodologia que não seja impositiva ou invasiva ao perfil das comunidades ribeirinhas, para desenvolver projetos de pesquisa participativa para o aproveitamento de matéria-prima residual.
Os projetos visam ainda a produção de peças sustentáveis, aliando conceitos e critérios projetuais inerentes à atividade de design com os fatores ecológicos e produtivos, de modo que os resíduos de madeira sejam aproveitados adequadamente.
As atividades de produção de artefatos de madeira também ajudam nas atividades do turismo sustentável, que está em progresso na região, avalia o coordenador.
Outra proposta da pesquisa é inserir na comunidade, por meio do design, informações e métodos de beneficiamento de madeiras residuais (madeiras caídas, madeiras pescadas, resíduos da exploração da floresta manejada) com a finalidade de subsidiar uma produção comunitária que possa ser competitiva e difundida, estimulando os ribeirinhos com vocação para a marcenaria a se apropriarem de técnicas, conceitos e ferramentas da área do design, para obter produtos competitivos para o mercado além das fronteiras, por meio de uma tecnologia acessível, que aproveite integralmente a madeira, tendo como foco o emprego de recursos informacionais que direcionem a bases adequadas e perenes no manejo florestal comunitário.
Já foram realizadas as etapas de entrevistas com os comunitários para caracterização socioeconômica e identificação de afinidades com a marcenaria, realização de oficinas para desenvolvimento do processo criativo e desenho técnico com os comunitários, oficinas de criação de protótipos com alunos e professores do curso de design da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e confecção de protótipos de pequenos objetos decorativos e painéis modulares.

