Manaus/AM - Enquanto na região Norte tanto as mulheres brancas quanto as negras detêm as menores presenças no universo do empreendedorismo, se comparadas às demais regiões do país, 82% das empreendedoras brasileiras dedicam 17% menos horas ao próprio negócio que os homens por necessidade e chegam a trabalhar 10,5 horas por semana a mais que os homens com afazeres domésticos e com os filhos. E apesar de estudarem mais, têm menor renda que os homens.
Os dados foram publicados pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) com base em levantamento feito pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnadc).
De acordo com o estudo do Sebrae, na região Norte, apenas 4% das mulheres brancas são empreendedoras, enquanto as negras chegam a 14%, no Nordeste, as brancas representam 12% nesse item e as negras 36%. Na região Centro-Oeste, as mulheres brancas representam 6% e as negras 10% entre as mulheres empreendedoras.
O estudo apontou que o empreendedorismo feminino no Brasil apresentou sinais de recuperação no último trimestre do ano passado, depois de sofrer retração a partir dos primeiros meses da pandemia do coronavírus.
O número de mulheres à frente de um negócio no país fechou o quarto trimestre de 2021 em 10,1 milhões, mesmo resultado registrado no último trimestre de 2019, antes da pandemia.
Outro aspecto mostrado indica que 50% das proprietárias de negócios de estão no setor de serviços, enquanto 21% estão no setor de construção. Em relação aos homens, 35% dos donos de negócios se concentram no setor de serviços, enquanto 21% estão no setor de construção.
Ainda segundo a pesquisa, aumentou a proporção de mulheres que são chefes de domicílio. Em 2019, elas eram 47% e no último trimestre de 2021 as empreendedoras chefes de domicílio representaram 49% do total.
O estudo mostrou o aumento da escolaridade das mulheres que estão empreendendo, da mesma forma que a diferença do número de mulheres com pelo menos o nível médio aumentou em relação aos homens entre o último trimestre de 2019 e o mesmo período de 2021.
Mesmo assim, os salários permanecem diferenciados. Enquanto 31% dos homens com ensino superior completo ganham seis salários mínimos ou mais, apenas 22% das mulheres com essa mesma escolaridade recebem renda semelhante.
No quarto trimestre do ano passado, 68% das empreendedoras tinham pelo menos o ensino médio. Entre os homens, essa proporção era de 54%. A variação no período foi de 11 pontos percentuais entre as mulheres e 4 pontos entre os homens.
Houve diminuição da participação das mulheres negras à frente dos negócios. Enquanto no último trimestre de 2019, antes da pandemia, elas eram 50,3% das donas de negócio, no último trimestre do ano passado, elas passaram a responder por 48,5%. Já as mulheres brancas passaram de 48,4% das donas de negócio para 49,9%.
Elas empreendem 82% por necessidade e falta de emprego, 69% para fazer diferença no mundo, 12% atuam em serviços domésticos 11% no setor de beleza como cabeleireiras, 10% serviços de alimentação.
Na comparação de renda, o salário médio da mulher negra é de R$ 1.539 e do homem negro é R$ 1.798, enquanto da mulher branca é R$ 2.305 e do homem branco, R$ 2.749.



