A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), iniciou um projeto-piloto pioneiro de telessaúde voltado para Pessoas Vivendo com HIV/Aids (PVHA). A iniciativa busca ampliar o acesso ao cuidado, romper barreiras geográficas e descentralizar o acompanhamento clínico na rede de Atenção Primária à Saúde (APS).
Nesta primeira fase, o serviço opera de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, atendendo inicialmente os usuários vinculados ao Serviço de Atenção Especializada (SAE) da policlínica Dr. Antônio Comte Telles, localizada no bairro São José, zona Leste. A meta é alcançar até 70% dos quase 4 mil pacientes ativos da unidade.
Equipe Multiprofissional: Os atendimentos por videochamada são conduzidos por médicos infectologistas, enfermeiros, farmacêuticos, psicólogos, assistentes sociais e técnicos de enfermagem.
Público Prioritário: Pacientes com perfil clínico estável (uso regular de antirretrovirais, carga viral indetectável e sem infecções oportunistas), além de pessoas em situação de isolamento geográfico, vulnerabilidade ou que haviam abandonado o tratamento.
Exceções Presenciais: Gestantes, menores de 18 anos e pacientes com carga viral detectável ou CD4 abaixo de 200 células/mm³ continuam com acompanhamento presencial obrigatório.
O projeto utiliza o Sistema Integrado de Telessaúde (SIT), integrado ao Prontuário Eletrônico do Cidadão (e-SUS/PEC), e conta com o reforço do aplicativo móvel Agente de Saúde Digital (ASD) para facilitar o envio de receitas e exames.
O secretário-gerente de Telessaúde, Lindinaldo Gomes dos Santos, destaca que a estratégia visa combater os altos índices da doença na capital.
"Manaus permanece entre as capitais com maiores taxas de detecção e mortalidade por Aids no país. A telessaúde busca fortalecer o vínculo do paciente ao tratamento, inclusive para quem mora longe das unidades", aponta.
Em 2025, Manaus registrou 1.604 novos casos de HIV, 544 de Aids e 233 óbitos. Entre janeiro e agosto de 2026, já foram contabilizadas 863 infecções e 130 mortes. O projeto-piloto seguirá em avaliação por seis meses, com previsão de expansão para outras unidades e inclusão de populações prisionais e rurais.
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