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Mais de 90% dos garimpos do país concentram-se na Amazônia, aponta Mapbioma

Mais de 90% dos garimpos do país concentram-se na Amazônia, aponta Mapbioma
Mais de 90% dos garimpos do país concentram-se na Amazônia, aponta Mapbioma

 

A concentração do garimpo em áreas protegidas restritas a esta atividade na Amazônia, sendo esta ilegal, como nos Parques Nacionais do Jamanxin, do Rio Novo e da Amazônia, no Pará; na Estação Ecológica Juami Japurá, no Amazonas, e na Terra Indígena Yanomami, em Roraima foram os principais destaques do relatório divulgado pelo MapBiomas, mostrando a explosão da atividade nos últimos cinco anos.

Em apenas um ano, segundo os dados levantados, a área ocupada pela atividade no país cresceu 35 mil hectares – o tamanho de uma cidade como Curitiba. O crescimento se deu basicamente na Amazônia, que em 2022 concentrava a quase totalidade (92%) da área garimpada no Brasil.

Enquanto quase metade (40,7%) da área garimpada nesse bioma foi aberta nos últimos cinco anos, o MapBiomas afirma não haver dúvidas de que o interesse de pelo menos 85,4% dos 263 mil hectares garimpados no Brasil é para extração de ouro. 

A concentração do garimpo em áreas protegidas como na Terra Indígena Yanomami, em Roraima trouxe cenas dramáticas dos efeitos dessa atividade. Os satélites mostram que as três primeiras áreas daquele povo são garimpadas há mais de 20 anos, porém tiveram um crescimento substancial nos últimos 10 anos.

O levantamento do Mapbiomas definiu como impressionante o crescimento da atividade garimpeira em áreas protegidas, que só em  2022, foi de 190% maior do que há cinco anos. Cerca de 50 mil hectares foram incorporados ao garimpo no período.

Isso porque mais de 25 mil hectares em Terras Indígenas (TIs) e de 78 mil hectares em Unidades de Conservação (UCs) eram ocupados pelo garimpo. Em 2018, eram 9,5 mil e 44,7 mil hectares, respectivamente. Em 2022, 39% da área garimpada no Brasil estava dentro de uma TI ou UC. 

As áreas garimpeiras em terras indígenas, em 2022, foram maiores em 265%, ou 15,7 mil hectares, em comparação ao ano de 2018, sendo que quase dois terços (62,3%) da área garimpada em TIs foi aberta nos últimos cinco anos.

Entre as Terras Indígenas mais invadidas pelo garimpo estão a Kayapó (13,7 mil hectares), Munduruku (5,5 mil hectares), Yanomami (3,3 mil hectares), Tenharim do Igarapé Preto (1 mil hectares) e Sai-Cinza (377 hectares). 

Os efeitos dessa atividade no meio ambiente são visíveis também no assoreamento dos rios e na contaminação de suas águas.

As imagens de satélite mostram que as bacias mais afetadas pela atividade garimpeira são Tapajós, Teles Pires, Jamanxim, Xingu e Amazonas. Essas cinco bacias representam 66% da área garimpada do país, sendo Tapajós 20% (54,8 mil hectares) e Teles Pires 18% (48,1 mil hectares).

Ao contrário do garimpo, a mineração industrial não cresceu em 2022, permanecendo ocupando cerca de 180 mil hectares registrados em 2021. No ano passado, essa área correspondia a menos da metade (40%) do total ocupado pela atividade minerária no Brasil: 443 mil hectares.

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