Po r Aldísio Filgueiras
O presidente Lula não foi apenas descortês com o governador aliado Omar Aziz, candidato à reeleição (e reeleito, segundo as pesquisas mais sérias e as menos também), mas foi, principalmente, grosseiro com o ex-governador e candidato ao Senado, Eduardo Braga, virtualmente eleito. Não se sabe e jamais se saberá qual é a dívida de gratidão que Lula tem com Alfredo, para suportá-lo como ministro dos Transportes, durante sete anos, e, agora, vir ao Amazonas fazer essa desfeita com os amazonenses.
Isso demonstra que Lula pode ser grato, sim, mas desde que não se saiba que favores lhe tenham sido feitos e não lhe importa a quem ferir ou a quem pisar. Os amazonenses não mereciam nem precisavam ser feridos ou pisados como o fez Lula ao se amesquinhar, pedindo votos para um candidato que tem um índice de rejeição quase do tamanho da popularidade do presidente. Lula também não precisava também humilhar, mais uma vez, o PT do Amazonas, ao atropelar a candidata petista ao Senado, Marilene Corrêa, ao abraçar, literalmente, a candidatura de Vanessa Grazziotin, a comunista queridinha dos evangélicos, que perderam a noção do seu ministério, dando as costas, ainda mais tristemente, à evangélica presidenciável, Marina Silva, do Partido Verde.
Lula acha que o Amazonas é o seu quintal, que ele visita, esporadicamente, para ver se os seus meninos e as suas meninas continuam rezando pela sua cartilha que manda derrotar Arthur Neto, candidato à oposição no Senado, como manda que se dane o José Agripino, outro seu oposicionista, lá na terra do Alfredo Nascimento, o Rio Grande do Norte. Lula não é só o pai dos pobres, mas o grande e único latifundiário desta República de bananas e é assim que comporta, metendo os pés pelas mãos, adentrando a sala sem ser convidado, para cuspir no prato em que sempre comeu: a grande ilusão dos pobres deste país. O Brasil, para Lula, continua sendo a imagem da casa grande senzala, que ele levou do Nordeste para São Paulo e realimentou com os seus dois mandatos de presidente.
Lula iludiu a Igreja Católica e à sua Teologia da Libertação, enquanto foi o degredado filho de Eva, líder dos metalúrgicos, perseguido pelas polícias da ditadura civil-militar. A Teologia da Libertação acredita que os pobres, só porque são pobres, merecem o Paraíso. Não é bem assim. Tem pobre que vai, sim, para o inferno. Como não sou católico, prefiro traduzir do meu ponto de vista: não é o berço que define, exatamente, consciência de classe, mas opção de classe. Lula optou contra os pobres, por mais esmolas que tenha distribuído por esse país afora, criando uma transfusão artificial da classe D para a classe B. A indústria brasileira sabe do que precisa para tornar realidade essa ilusão lulista.
Lula traiu o Partido dos Trabalhadores, que era um partido de massa, ao transformá-lo num partido de quadros corruptos, costumeiramente presos, indiciados pelas operações da Polícia Federal. O recente caso Erinice Guerra, que fazia da Casa Civil, o quartel-general das operações fraudulentas do seu filho, é bem emblemático da noção de governo que Lula amadureceu.
Lula não demitiu Erinice. Lula sempre complacente, senão conivente, com os seus aloprados e alopradas. Foi assim com os 40 do mensalão. Lula quer um país de gente dócil, como ele já declarou mais de uma vez. A oposição ele quer extirpar, eliminar; Lula não admite o contraditório. Lula é o pobre ressentido e quer se vingar de tudo e de todos porque um dia foi pobre. Tudo bem Lula, cada um, cada qual. Mas não precisava cuspir na cara dos amazonenses que sempre te adoraram e te deram 101% dos votos em todas as eleições. Isso não. Os amazonenses sabem resolver, internamente, os seus problemas, não precisam de nenhum “pai”. Os amazonenses conhecem os próprios pais, Lula. Não estou falando com o presidente da República Federativa do Brasil, mas com o cabo eleitoral da sua criatura feita à sua imagem e semelhança.
Aldísio é jornalista, escritor, membro da Academia Amazonense de Letras e do Teatro Experimental do Sesc – [email protected]
O presidente Lula não foi apenas descortês com o governador aliado Omar Aziz, candidato à reeleição (e reeleito, segundo as pesquisas mais sérias e as menos também), mas foi, principalmente, grosseiro com o ex-governador e candidato ao Senado, Eduardo Braga, virtualmente eleito. Não se sabe e jamais se saberá qual é a dívida de gratidão que Lula tem com Alfredo, para suportá-lo como ministro dos Transportes, durante sete anos, e, agora, vir ao Amazonas fazer essa desfeita com os amazonenses.
Isso demonstra que Lula pode ser grato, sim, mas desde que não se saiba que favores lhe tenham sido feitos e não lhe importa a quem ferir ou a quem pisar. Os amazonenses não mereciam nem precisavam ser feridos ou pisados como o fez Lula ao se amesquinhar, pedindo votos para um candidato que tem um índice de rejeição quase do tamanho da popularidade do presidente. Lula também não precisava também humilhar, mais uma vez, o PT do Amazonas, ao atropelar a candidata petista ao Senado, Marilene Corrêa, ao abraçar, literalmente, a candidatura de Vanessa Grazziotin, a comunista queridinha dos evangélicos, que perderam a noção do seu ministério, dando as costas, ainda mais tristemente, à evangélica presidenciável, Marina Silva, do Partido Verde.
Lula acha que o Amazonas é o seu quintal, que ele visita, esporadicamente, para ver se os seus meninos e as suas meninas continuam rezando pela sua cartilha que manda derrotar Arthur Neto, candidato à oposição no Senado, como manda que se dane o José Agripino, outro seu oposicionista, lá na terra do Alfredo Nascimento, o Rio Grande do Norte. Lula não é só o pai dos pobres, mas o grande e único latifundiário desta República de bananas e é assim que comporta, metendo os pés pelas mãos, adentrando a sala sem ser convidado, para cuspir no prato em que sempre comeu: a grande ilusão dos pobres deste país. O Brasil, para Lula, continua sendo a imagem da casa grande senzala, que ele levou do Nordeste para São Paulo e realimentou com os seus dois mandatos de presidente.
Lula iludiu a Igreja Católica e à sua Teologia da Libertação, enquanto foi o degredado filho de Eva, líder dos metalúrgicos, perseguido pelas polícias da ditadura civil-militar. A Teologia da Libertação acredita que os pobres, só porque são pobres, merecem o Paraíso. Não é bem assim. Tem pobre que vai, sim, para o inferno. Como não sou católico, prefiro traduzir do meu ponto de vista: não é o berço que define, exatamente, consciência de classe, mas opção de classe. Lula optou contra os pobres, por mais esmolas que tenha distribuído por esse país afora, criando uma transfusão artificial da classe D para a classe B. A indústria brasileira sabe do que precisa para tornar realidade essa ilusão lulista.
Lula traiu o Partido dos Trabalhadores, que era um partido de massa, ao transformá-lo num partido de quadros corruptos, costumeiramente presos, indiciados pelas operações da Polícia Federal. O recente caso Erinice Guerra, que fazia da Casa Civil, o quartel-general das operações fraudulentas do seu filho, é bem emblemático da noção de governo que Lula amadureceu.
Lula não demitiu Erinice. Lula sempre complacente, senão conivente, com os seus aloprados e alopradas. Foi assim com os 40 do mensalão. Lula quer um país de gente dócil, como ele já declarou mais de uma vez. A oposição ele quer extirpar, eliminar; Lula não admite o contraditório. Lula é o pobre ressentido e quer se vingar de tudo e de todos porque um dia foi pobre. Tudo bem Lula, cada um, cada qual. Mas não precisava cuspir na cara dos amazonenses que sempre te adoraram e te deram 101% dos votos em todas as eleições. Isso não. Os amazonenses sabem resolver, internamente, os seus problemas, não precisam de nenhum “pai”. Os amazonenses conhecem os próprios pais, Lula. Não estou falando com o presidente da República Federativa do Brasil, mas com o cabo eleitoral da sua criatura feita à sua imagem e semelhança.
Aldísio é jornalista, escritor, membro da Academia Amazonense de Letras e do Teatro Experimental do Sesc – [email protected]

