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Lei de educação antirracista completa 20 anos, mas ações ficaram no papel no Amazonas

Lei de educação antirracista completa 20 anos, mas ações ficaram no papel no Amazonas
Lei de educação antirracista completa 20 anos, mas ações ficaram no papel no Amazonas

Manaus/AM - Ao completar 20 anos neste 2023 da aprovação da Lei 10.639/03 que determina às secretarias municipais de Educação a inserção no currículo escolar conteúdos e abordagens sobre história e cultura africana e afro-brasileira comprometidos com uma educação antirracista, uma pesquisa revelou que apenas 5% dos municípios brasileiros a implementam nas secretarias de educação.

A pesquisa, realizada por Geledés Instituto da Mulher Negra e pelo Instituto Alana, coletou dados de 1.187 Secretarias Municipais de Educação, o que equivale a 21% das redes municipais de ensino do país.

O resultado da pesquisa mostrou que a maioria das secretarias, 71%, realiza pouca ou nenhuma ação para a efetividade da lei que há 20 anos obriga escolas a ensinarem história e cultura afro-brasileira. Apenas 29% das secretarias realizam ações consistentes e perenes para garantir a implementação da lei, como mostra a pesquisa.

No Brasil, assim como no Amazonas, essa legislação está só no papel, lamentou a professora Arlete Anchieta, que lecionou na Faculdade Salesiana Dom Bosco (FSDB). 

Assistente social e ativista do movimento antirracismo, ela lamenta que mesmo em Manaus, onde houve um trabalho grande para implantar a lei logo nos anos iniciais da aprovação da lei, atualmente não há o mesmo empenho em fazê-la acontecer. 

“O que existe são ações oriundas do esforço individual dos professores, que entendem a importância do reconhecimento e valorização da cultura negra e têm compromisso com uma educação antirracista”, afirma Arlete, destacando a necessidade da criança negra saber de onde veio, qual sua história no país. 

A professora destaca que, mesmo nas escolas quilombolas, ainda há luta para ter professores quilombolas e com maior conhecimento e disponibilidade para possibilitar reflexões étnico raciais. 

“Por isso, é preciso retomar a implementação da lei de forma efetiva e com apoio institucional, sem depender só da iniciativa de cada professor interessado no tema”, reflete.

Semed

A Secretaria Municipal de Educação (Semed), informou cumprir a obrigatoriedade do Estudo da História e Cultura Afro-brasileira e Indígena nas escolas municipais, oferecendo formações aos docentes desde 2008, e também nas unidades de ensino, por meio do cumprimento do Currículo Escolar Municipal (CEM/2020).

Para isso, há inserção nas habilidades e objetos de conhecimento dos componentes curriculares e de forma interdisciplinar com o tema integrador contemporâneo “Educação para as Relações Étnico-Raciais” (ERER). O Ensino de História e Cultura Africana e Afro-brasileira; O Ensino de História e Cultura Indígena; Educação Quilombola), que trata de processos de construção de identidade e no modo de interação com outros, além da dimensão cognitiva, das dimensões política, ética e estética da formação dos estudantes matriculados na rede municipal de educação.

Nas secretarias municipais do interior do Estado não há informações sobre a implementação da lei, exceto por ações individuais de alguns professores.

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