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Jornalista goiano sai falando de Manaus

“Nos bairros mais afastados como o Aleixo, por exemplo, você depara cenas insólitas: um bando de urubus disputando o lixo da calçada com uma dezena de cães vira-latas e mais adiante na avenida do mesmo bairro,  onde proliferam concessionárias de automóveis,   está instalada a sede da principal mídia impressa, o jornal A CRÍTICA,  e à noite – que ironia! – acontece atrottoir de meninas aparentando de 12 a 15 anos, confirmando claramente a prostituição infantil que tanto envergonha este país".


Por Mário Adolfo


Com um título “Manaus Selva de Pedra fora do Contexto”, o goiano Eugênio Santana publicou no jornal Diário da Manhã, de Goiânia, um artigo em que coloca a cidade de Manaus no rol das piores cidades do país que “nem de longe afirma e nem confirma o titulo de cidade-sede da região Amazônia”.

Acesse aqui o perfil do goiano Eugênio Santana no Facebook

Publicado na página 6 do caderno de Economia do jornal goiano, o “articulista” que se diz (pasmem!) escritor jornalista. Ensaísta, publicitário, versemaker, self-made man, sócio da associação Fluminense de Imprensa, da Associação Catarinense de Imprensa e ex-superintendente de imprensa do Rio de Janeiro dispara uma série de intempéries contra a idade de Manaus, que teria visitado no último dia 30 de junho.

O artigo é um festival de agressões do início ao fim. Logo nas primeiras linhas, ele narra que “a impressão que se tem é que Manaus é uma cidade grande, como outra qualquer, que cultua a guerra de classes: elitista, sedentária e viciada em shoppings. Aliás, por ser  uma cidade de calor atípico é insuportável, a classe média e alta se refugia nos shoppings com o viciado ar condicionado”.

 O cidadão Santana diz que veio a Manaus para trabalhar  na empresa Amazona Play, na condição de gerente administrativo. Mas o que dá a entender é que a empresa se recusou a pagar o que ele cobrou e o mandou embora. Por isso, a vingança foi sair detonando a cidade e sua gente. Veja como ele se entrega ao falar em remuneração. “Quando o comissário de bordo anunciou nosso pouso em Manaus, mas antes avisou que estávamos passando por uma turbulência, marcou minha vida. Percebi que minha estada em Manaus , e lá de cima, antes da aterrissagem, visualizei as águas escuras do famigerado Rio Negro, pressentindo que minha estadia, na famigerada Manaus, seria conturbada e mal remunerada (viram!): uma temporada no inferno, lembrando Arthur Rimbaud".

O aventureiro diz coisas bem piores mais à frente. E até agride o jornal A CRÍTICA. Vejam só: “Nos bairros mais afastados como o Aleixo, por exemplo, você depara cenas insólitas: um bando de urubus disputando o lixo da calçada com uma dezena de cães vira-latas e mais adiante na avenida do mesmo bairro, onde proliferam concessionárias de automóveis, incluindo a Citroën; está instalada a sede da principal mídia impressa, o jornal A CRÍTICA,  e à noite – que ironia! – acontece atrottoir de meninas aparentando de 12 a 15 anos, confirmando claramente a prostituição infantil que tanto envergonha este país – E o jornal lá, impassível, assistindo tudo de camarote”.

        Não para por aí a metralhadora giratória do raivoso goiano. No parágrafo seguinte ele dispara contra nosso povo. Olha só isso: “O que mais me impressionou no cidadão amazonense é que são (errou a concordância) declaradamente racistas. A população é caracterizada por pessoas de baixa estatura, cabelos lisos e negros e pele escura que odeia os negros, e a bem da verdade só vi nove pessoas da raça negra em Manaus, cidade de 2 milhões de habitantes”.

Logo em seguida ele ataca a questão indígena de forma mentirosa. leia: “Quando você pergunta pelos índios eles comentam com atitude desprezível: aqui não existe índio, os índios estão na selva, na floresta, nas reservas. Portanto, mais uma vez têm vergonha de sua própria origem, pasmem! Que golpe baixo!”

Difícil escolher o trecho mais sórdido, mas este é um dos piores, pois o goiano prova que não conheceu – ou fez questão de não conhecer – a alma do povo amazonense. Um povo solidário, prestativo, brincalhão, que dá a cama para o visitante e vai dormir no chão. Vejam a impressão que ele levou de nosso povo: “E o amazonense não é um cidadão cordial, aberto ao diálogo, prestativo. São fechados e não gostam de dar informações”.

Trem mais: “A única unanimidade digna de registro em Manaus de múltiplas faces é que a cidade inteira torce pelo C.R. Flamengo, do Rio. Um simples anúncio de que o Flamengo vai jogar, a cidade se agita e veste-se de rubro-negro”.

O “elemento” encerra da forma mais venal possível: “Quanto ao resto, é resto. Um tremendo golpe baixo! Puro elogia de crápulas. Fica no subterfúgio da cozinha local. No tradicional peixe tambaqui na abrasa, que em nada supera nossas iguarias na alta temporada do Araguaia!”

Resolvi comentar esse artigo e enviar para vocês, porque Manaus pode ter problemas serissimos, mas nenhum “estrangeiro” tem  o direito de vir aqui e cuspir no prato em que não comeu. Não somos Estocolmo, mas temos alguns atrativos de encher os olhos, traços em nossa cultura digna de qualquer registro positivo na mídia mundial. Tem quase certeza que o Sr. Eugênio nunca assistiu a um Festival de Ópera, a um Festival de  Jazz, de Cinema  e de teatro, como nossa terra tem e seu calendário. E só mesmo uma alma pequena para não ver beleza e nem grandiosidade no Rio negro, um dos mais belos rios do mundo que ele tratou por “famigerado Rio negro”.

Conheço goianos que nos visitam sempre, como os advogados Tágore da Costa e Romero Arruda; como o investidor Leonardo De Paula e são apaixonados por Manaus. Tenho uma irmã, a advogada Mércia Aryce, que mora em Goiânia há 40 anos. No caso do acidente radiológico de Goiânia, em setembnro de 1977, amplamente conhecido como acidente com o Césio-137, um grave episódio de contaminação por radioatividade ocorrido no Brasil, ela estava aqui e  nós, do jornal Amazonas Em Tempo publicamos uma entrevista de página,  onde ela saia em defesa de Goiânia, apelando para que o o povo bra sileiro  não deixasse de visitar “Goiânia, uma cidade linda” por conta do problema. O nome disso, sr. Eugênio Santana, é solidariedade, uma característica do amazonense, um povo de sangue bom. Mas parece que o senhor não vi iso, poque o sol derreteu seus  miolos.

Quem queiser se indignar, como eu me indignei, acesse a página do Diário da Manhã http://www.dmdigital.com.br/, e veja o que este cidadão atirou no ventilador.

 

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