Homicídios e guerra de facções faz aumentar número de enterro de indigentes no AM

Por Portal do Holanda

17/09/2021 15h06 — em Amazonas

Foto: Instituto Médico Legal (IML) do Amazonas Foto Divulgação

Manaus/AM - Nos últimos três anos, o Instituto Médico Legal (IML) do Amazonas encaminhou para sepultamento como indigentes 395 corpos cuja identidade não foi identificada e nem reclamada por familiares no período de janeiro a julho deste ano. 

Desse total, 93 foram só nos primeiros seis meses deste ano e o restante, 302, foram nos anos de 2019 e 2020,  de acordo com os dados do Departamento de Polícia Técnico-Científica do Amazonas (DPTC). 

Para a professora Lucilene Melo, do Departamento de Serviço Social da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), a não procura pelos corpos deve estar relacionada com a morte violenta dessas pessoas, especialmente as relacionadas com o tráfico de drogas e guerra de facções, como se pode ver no noticiário da imprensa.

Quando a família identifica, segundo Lucilene, fica com medo de estabelecer contato para não ser associada ao conflito que gerou aquela morte, até porque a maioria dessas pessoas foi vítima de muita violência como decapitações, que são comuns no Estado. “Os familiares ficam receosos de se aproximar e se identificar”, disse ela. 

Há também o desconhecimento da situação da pessoa envolvida com atividade ilícita e por isso afasta-se da família, sem manter contato e alguns ficam em situação de rua, perdendo totalmente o contato com os familiares, argumentou a professora, que trabalha com pesquisa relacionada com morte violenta de mulheres.

A falta de condições financeiras para custear os procedimentos de um enterro é outro ponto indicado pela professora Lucilene para essa não busca dos corpos. De acordo com ela, mesmo contando com o serviço do SOS Funeral, ainda há um custo mínimo a pagar e muitas famílias vivem em situação de pobreza. 

HOMENS

Dos sepultados este ano, 69 pessoas do sexo masculino, 5 do sexo feminino e 19 eram ossadas, condição na qual não é possível saber o gênero. De todos os corpos e ossadas, foram coletadas amostras de DNA, digitais e informações odontológicas dos corpos e fragmentos. 

Os cadáveres e restos mortais foram encaminhados para sepultamento no cemitério público de Nossa Senhora Aparecida, localizado no bairro Tarumã, zona oeste da capital.

As famílias podem ainda procurar o IML ou acionar o Ministério Público do Amazonas (MP-AM) com o objetivo de encontrar informações de familiares desaparecidos que possam ter sido classificados como não reclamados e não tenham sido identificados.

Existe atualmente uma iniciativa nacional para coletar material biológico de familiares de pessoas desaparecidas, da qual o IML, juntamente com o laboratório de genética forense do Instituto de Criminalística Lorena dos Santos Baptista (IC-LSB), fazem parte.

Além do exame de necropapiloscopia, a identificação do cadáver também pode ser realizada por meio da arcada dentária. Neste exame são comparados os dados odontológicos obtidos em documentos em vida com os achados no corpo.

O Brasil tem duas leis que regulamentam procedimentos e critérios para liberação de cadáver no IML.
Lei Federal nº 12.527, de 18 de novembro de 2011, estabelece diretrizes para divulgação de informações de interesse público por parte dos órgãos públicos.

Lei Federal nº 18698, de 8 de janeiro de 2016, dispõe sobre critérios para liberação de cadáver no Instituto Médico-Legal para sepultamento.


O Portal do Holanda foi fundado em 14 de novembro de 2005. Primeiramente com uma coluna, que levou o nome de seu fundador, o jornalista Raimundo de Holanda. Depois passou para Blog do Holanda e por último Portal do Holanda. Foi um dos primeiros sítios de internet no Estado do Amazonas. É auditado pelo IVC e ComScore.

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