Manaus/AM - O governador Wilson Lima propôs ao Ministério da Saúde a revisão do modelo de financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS), com o objetivo de incluir o chamado “fator amazônico” nos repasses federais. A proposta busca garantir que o Amazonas receba recursos compatíveis com os desafios logísticos e geográficos da região, onde o transporte de pacientes e insumos depende, em grande parte, de meios fluviais e aéreos.
A pauta foi apresentada durante visita de representantes do Ministério da Saúde e do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) a Manaus, na semana passada. A comitiva conheceu de perto os projetos do Barco Hospital São João XXIII, do programa Saúde AM Digital (Telessaúde) e do serviço de UTI Aérea — iniciativas que ampliam o atendimento nas áreas mais remotas do estado, mas que ainda não contam com financiamento federal direto.
“Tenho mantido diálogo constante com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para que o Amazonas seja reconhecido como uma região estratégica para a saúde pública nacional. Nosso objetivo é construir um novo pacto federativo que leve em conta as particularidades da Amazônia”, afirmou Wilson Lima. Segundo o governador, o custo médio das ações básicas no estado pode ser até três vezes maior do que em regiões do Sudeste, devido às dificuldades logísticas e à extensão territorial.
A secretária de Estado de Saúde, Nayara Maksoud, reforçou que a proposta não se trata de pedir privilégios, mas de adotar critérios compatíveis com a realidade amazônica. “Enquanto em outros estados os hospitais são abastecidos por caminhões, aqui dependemos de balsas e aviões. A conta é diferente, e o financiamento precisa refletir isso”, explicou.
Entre as ações apresentadas ao Ministério da Saúde está o Barco Hospital São João XXIII, inaugurado em 2024, que oferece atendimentos médicos, odontológicos e cirúrgicos em comunidades ribeirinhas. O governo também destacou o avanço do programa Saúde AM Digital, que já funciona em 36 municípios e permite consultas em 17 especialidades por videoconferência. Além disso, o Amazonas mantém uma das maiores frotas de transporte aeromédico do mundo, com oito aeronaves e uma central de regulação 24 horas.
Segundo o 2º vice-presidente estadual do União Brasil, Marcellus Campêlo, o estado tem se tornado referência nacional em inovação e gestão pública na saúde. “O Amazonas prova que é possível fazer saúde de qualidade no coração da floresta, mas isso exige investimentos adequados. O que defendemos é o reconhecimento do esforço do governo estadual e da complexidade da nossa região”, afirmou.







