Principal testemunha da chacina ocorrida no Complexo Penitenciário Anisio Jobim em 2002, quando foram assassinados 11 detentos, Elgo Jobel Guerreiro será transferido nesta segunda-feira do Comando de Policiamento Especializado da Policia Militar, onde cumpre pena em regime semi-aberto, para o Compaj, onde vai conviver com os alguns dos autores da chacina. A familia teme que ele possa ser assassinado.
Durante o julgamento, há duas semanas, Jobel apontou os detentos Gelson Lima Carnaúba, Marcos Paulo da Cruz, o “Goma” e Francisco Álvaro Pereira, o “Bicho do Mato”, como os homens que comandaram o massacre, e fez denúncias contra o ex-diretor do Compaj e atual delegado geral adjunto da Polícia Civil, Antônio Chicre Neto, que teria feito vista grossa e permitido, indiretamente, a chacina. Segundo Jobel, Chicre sabia que os homens portavam armas.
O testemunho de Elgo Jobel foi decisivo para a condenação de Gelson Lima e Francisco Álvaro a 120 anos de prisão, além de Marcos Paulo da Cruz, a pena 132 anos de cadeia . Eles foram acusados por homicídio triplamente qualificado
O denunciante disse ao Portal do Holanda que o oficio solicitando a transferência de Elgo Jobel e mais oito detentos que cumprem pena no Comando de Policiamento Especializado, foi encaminhado à Vara de Execuções pelo tenente coronel Augusto Magno, em janeiro, e estranhamente só agora depois das denúncias do detento no julgamento, ocorreu um despacho do juiz ao secretário de Justiça, Lélio Lauria, para que determine a remoção.
