Embora tenha sido um dos primeiros estados a criar arranjos institucionais para o enfrentamento da Pandemia de Covid-19, o Amazonas está entre as 15 unidades da federação nas quais foram observadas a prática de políticas sem base em evidências científicas, em especial o estímulo ao uso do chamado “tratamento precoce”, que levou a um aumento de 171% de medicamentos como a azitromicina entre os anos de 2020 e 2021 no estado.
Os dados estão no estudo preliminar denominado “Ciência e Pseudociência Durante a Pandemia de Covid-19: O Papel dos “Intermediários do Conhecimento” Nas Políticas dos Governos Estaduais no Brasil”, realizado Rodrigo Fracalossi de Moraes e publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) no último dia 5.
Com o uso de informações oficiais divulgadas ou disponibilizadas pelos órgãos de saúde, o pesquisador apontou que a pandemia de COVID-19 demonstrou a importância não apenas da utilização de evidências científicas, mas também da popularização da ciência como instrumento de saúde pública.
O estudo compara como governos estaduais no Brasil filtraram evidências produzidas pela área de ciências da saúde e por outras disciplinas importantes para a contenção da epidemia (por exemplo, economia da saúde, ciência de dados, ciências comportamentais), e as incorporaram em políticas de enfrentamento à COVID-19.
E em particular, compara o trabalho realizado pelos arranjos institucionais de enfrentamento à pandemia criados pelos governos estaduais, com destaque para os 69 comitês científicos, gabinetes de crise ou equivalentes, os quais desempenharam (ou deveriam ter desempenhado) o papel de intermediários do conhecimento.
De acordo com o estudo, mesmo que potencial eficácia da chamado Kit Covid, com hidroxicloroquina, azitromicina e ivermectina, entre outros, tenha sido contestado em ao menos 250 ensaios clínicos, número que foi muito além do necessário para a geração de um consenso, a recomendação para o seu uso continuou circulando na sociedade e em alguns governos, requerendo a manutenção da alocação de recursos para se limitar os efeitos negativos de sua disseminação.



