Os governadores dos Estados da Amazônia gastaram milhares de reais dos cofres públicos para irem à Europa na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26), discursar sobre economia "verde", falando em desenvolvimento de baixo carbono, equilíbrio climático e bem viver das comunidades, enquanto homenageiam garimpeiros que contaminam nossos rios com mercúrio, liberam as queimadas, e diminuem áreas de unidades de conservação onde vivem populações tradicionais e indígenas.
Esse foi o tom da nota pública divulgada pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) durante a COP26, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que vai até o próximo dia 12 de novembro.
Junto a representantes de outros povos originários de todos os continentes, os indígenas destacaram a importância da participação deles numa conferência desse porte na qual fizeram alertas. “Estamos discutindo o futuro global e reafirmando o papel estratégico das populações indígenas no enfrentamento à crise climática. Deixamos claro que, sem nós, não há solução para a humanidade. Sem os nossos territórios, não há garantia para a sobrevivência de todas as espécies que habitam o planeta”.
Entre as cobranças feitas aos dirigentes dos Estados, eles exigiram o cumprimento dos acordos e compromissos já assumidos em outras conferências mundiais, visando a conservação da Amazônia e a contenção do desmatamento, sejam cumpridos.
“Já sentimos as mudanças do clima em nossas comunidades. Somos os protetores da Floresta, e sabemos quais são as prioridades e urgências para impedir a sua destruição”, pontuaram no documento os indígenas da Coiab.
A entidade pediu a demarcação e a proteção das terras ancestrais, bem como a retirada dos invasores, madeireiros, garimpeiros e fazendeiros que ameaçam constantemente os povos indígenas. “Não permitiremos mais perseguições aos defensores dos nossos territórios, não permitiremos mais genocídios”, afirmaram.
De acordo com eles, não há mais tempo a perder, por isso não aceitarão que os governantes tomem decisões sem consultá-los. “Exigimos ações imediatas contra a exploração predatória da Amazônia. Na contramão do mundo, o Brasil aumentou as emissões dos gases de efeito estufa em plena pandemia da Covid-19”, afirmam.
Ao final da nota, eles perguntam quais serão os mecanismos que o Brasil e todos os seus governantes irão adotar para atingir a meta estabelecida no Acordo de Paris e manter o aumento da temperatura média global em 1,5°C.



