Por Ana Celia Ossame, Especial para Portal do Holanda
O levantamento do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indicando que nos últimos 60 anos houve redução de chuva e elevação das temperaturas em 1,5°C no país, citando inclusive o município de São Gabriel da Cachoeira, precisa incluir mais elementos como as emissões de gases de efeito estufa, desmatamento, aumento populacional, uso e ocupação da terra para determinar essas alterações.
A afirmativa é do meteorologista Leonardo Vergasta, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), ao apontar a necessidade de se levar em conta outros elementos como as emissões de gases de efeito estufa, desmatamento, aumento populacional e uso e ocupação da terra para essas alterações para as mudanças no clima.
Na publicação "Normais Climatológicas do Brasil para o período de 1991-2020", divulgada essa semana, o Inmet fez um comparativo com a edição anterior (1961 - 1990), com o objetivo de analisar as mudanças no clima do Brasil nos últimos 60 anos.
Nessas mudanças, apontou mais alterações de temperatura nas regiões Nordeste, Norte e parte da Centro-Oeste destacando que no município amazonense de São Gabriel da Cachoeira foi observado um aumento de 2,2°C na temperatura nesse período.
“É importante considerar uma série de elementos ao analisar essas alterações, tais como as emissões de gases de efeito estufa, fator significativo que contribui para as mudanças climáticas em todo o mundo. Essas mudanças incluem o aquecimento global, que pode afetar as temperaturas e padrões de chuva em nível regional”, argumenta.
Outro ponto citado por ele é influência de padrões de temperatura e chuva devido a ciclos climáticos naturais como o El Niño e La Niña, que não estão diretamente relacionados às mudanças climáticas induzidas pelo homem.
ergasta argumenta ainda que fatores como crescimento populacional e a urbanização podem afetar os padrões de temperatura e chuva em áreas urbanas devido ao fenômeno conhecido como “ilhas de calor urbanas”.
“O aumento do concreto e as mudanças no uso da terra podem elevar as temperaturas locais e alterar os padrões de chuva”, explica ele, citando a remoção de áreas florestais como fatores que podem diminuir a evapotranspiração e influenciar a precipitação.
“Políticas governamentais relacionadas ao uso da terra, como o desmatamento descontrolado ou a expansão agrícola, também podem contribuir para mudanças climáticas regionais, afirma Vergasta, indicando que a falta de planejamento urbano adequado, com sistemas de drenagem inadequados e desenvolvimento desordenado, pode agravar as inundações em áreas urbanas.
Para ele, como as mudanças climáticas globais desempenham um papel importante nas mudanças climáticas em longo prazo, é essencial realizar estudos específicos e análises detalhadas para determinar as causas exatas das mudanças climáticas em uma região específica .
Consequências
Entre as consequências da falta desses estudos e em consequência, a falta de medidas para mitigar essas alterações, haverá, segundo o meteorologista, aumento do nível do mar, com o derretimento de geleiras e calotas polares e mais eventos climáticos extremos, como ondas de calor, secas, tempestades mais fortes e inundações, causando danos significativos a propriedades, agricultura e ecossistemas.
Essas ocorrências farão populações se deslocarem de áreas costeiras que ficam inundadas e condições climáticas extremas afetam regiões habitáveis e terão impactos na agricultura e segurança alimenta, levando a quebras de safra e escassez de alimentos. “Isso pode ter implicações para a segurança alimentar global”, afirma.
Para Leonardo Vergasta, as consequências em longo prazo das mudanças climáticas são vastas e abrangentes, afetando múltiplos aspectos da vida humana e do meio ambiente. “A mitigação das mudanças por meio da redução das emissões de gases de efeito estufa e a adaptação a essas mudanças são essenciais para minimizar esses impactos e proteger o planeta e suas populações”, finaliza.

