Manaus/AM - Em passagem pelo município de Autazes, a 113 quilômetros de Manaus, a Secretaria de Estado de Educação e Desporto (Seduc) realizou a distribuição de kits com insumos tradicionalmente indígenas à aldeia São Félix, na Escola Estadual (EE) Raimundo Sá. Os alimentos são oriundos de agricultores indígenas, que, pela primeira vez no Amazonas, estão vendendo os insumos para o consumo em unidades de ensino das comunidades onde moram.
O feito só foi possível graças à Chamada Pública para Merenda Indígena, da Secretaria de Educação, realizada no início do ano e com validade de 12 meses. Por meio dela, foram destinados R$ 1,7 milhão para o oferecimento de alimentação escolar com qualidade – e respeitando os costumes e tradições dos povos beneficiados –, no âmbito do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), e atendendo a Nota Técnica do Ministério Público do Amazonas (MPF-AM).
Ao todo, 4.475 alunos indígenas serão contemplados com produtos de quatro fornecedores formais e 31 produtores individuais indígenas. Estão sendo investidos, ainda, cerca de R$ 720 mil no setor, beneficiando 16 municípios do Amazonas: Alvarães, Anamã, Atalaia do Norte, Autazes, Borba, Carauari, Coari, Japurá, Manaus, Maraã, Nhamundá, Pauini, São Paulo de Olivença, Tabatinga, Tefé e Uarini.
De acordo com a secretária executiva adjunta de Gestão, da Secretaria de Educação e Desporto, Rosalina Lôbo, a entrega dos kits representa o comprometimento da pasta com a segurança alimentar dos estudantes.
“Agora, mesmo em período de pandemia e sem aulas presenciais, nós não nos furtamos a executar essas contratações e a absorver essa produção. A partir daí, como os alunos estão em casa, usando outras estratégias pedagógicas complementares, seria importante distribuir esses alimentos, em formato de kits, para garantir a segurança alimentar dos estudantes”, reforçou.
De acordo com Edivaldo Munduruku, diretor-presidente da Fundação Estadual do Índio (FEI), que atuou em parceria com a Secretaria de Educação na entrega dos kits de alimentos, a iniciativa contribui pelo reconhecimento dado aos agricultores familiares indígenas.
“Esse é um ato de grande importância para o pequeno produtor indígena, que vê seu produto sendo valorizado e adquirido pelo Governo do Estado. Com isso ganha o município, as comunidades e os estudantes indígenas, que agora poderão contar com um alimento saudável e rico em proteínas naturais”, observou.
A Secretaria de Educação e Desporto contou com a parceria do MPF-AM, mediante a Comissão Tradicional dos Povos da Amazônia (Catrapoa), Centro Colaborador em Alimentação e Nutrição do Escolar (Cecane/Ufam), fundações Estadual e Nacional do Índio (FEI e Funai, respectivamente) e Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal do Amazonas (Idam).

