Política Cultural, liberdade e responsabilidade
Ao contrário de um político que enfrenta uma eleição, o corpo técnico de uma administração pública quando é chamado, parte do princípio de que o colaborador deverá não só deixar seus interesses de lado como também doar quase que a totalidade do seu tempo para atender as necessidades da população. Entendi isso em 1994 quando comecei a fazer parte do corpo administrativo da cultura da cidade de Manaus. Naquela época nada havia a não ser reflexos do que Manaus já havia sido com suas óperas, serestas, músicas de beiradão, teatro do Américo Alvarez etc. tudo que ouvíamos eram ecos do passado.
Na Constituição do Estado do amazonas na seção II da cultura, artigo 205, parágrafos III e V dizem respectivamente: “O poder público municipal e estadual garantirá criação e manutenção de espaços públicos devidamente equipados e acessíveis à população para as diversas manifestações culturais” e “Promover o aperfeiçoamento e valorização dos profissionais da cultura”.
Como tudo na vida existem regras para executar e aprimorar quaisquer ações seja no âmbito pessoal ou profissional. A ética me ensina a respeitar a liberdade artística e promovê-la, mas a ética também me ensina que é necessário ouvir antes de expor comentários pejorativos a quaisquer que sejam os envolvidos.
Cabe agora lembrá-los de que a raiz cultural dessa cidade encontra-se na imensa riqueza do seu povo e sua natureza. Somos uma cidade receptiva e acolhedora que em momentos como os do último sábado ficaram nítidos tendo sido o evento “Esquenta da Virada” elogiado pela sua organização, onde todos os artistas tiveram igual destaque ao convidado nacional.
Não houve comentário negativo por parte de nenhum dos artistas durante a festa que foi tão prestigiada e tranquila. São muitas as canções que se revelam como reflexos das situações de uma nação e representam a opinião de seus autores como “Alegria, Alegria” de Caetano Veloso, “Geração Coca-Cola” da Banda Legião Urbana, e recentemente “Tropa de Elite” da Banda Tihuana. O que é uma canção? A arte não se limita a um só pensamento.
Quando fui convidada para atuar na pasta da cultura de Manaus não declinei por se tratar de um convite dos artistas que procuraram o candidato e lhes pediram para que meu nome fosse cogitado.
Nunca tive oportunidade de trabalhar com um político tão experiente como o Sr. Amazonino Armando Mendes. E ao contrário do que parece, não há benesses em termos o mesmo sangue, ao contrário, ás exigências se tornam maiores.
Sendo necessário fazê-lo, pedi ao Portal do Holanda que ouvisse a gestora e esquecesse da filha, pois esta não esteve nestes dois anos trabalhando com o cargo de filha.Tenho 20 anos de atuação em várias administrações e peço que respeitem o meu profissionalismo o qual me orgulho e reitero, focado na ética.
Coloco-me a disposição de vossa senhoria para qualquer dúvida quanto ao desenvolvimento do meu trabalho como gestora.
Cordialmente
Lívia Regina Prado de Negreiros Mendes

