A chegada do período de sol no Amazonas, que vai de junho a novembro, com temperaturas médias de 38°C, faz muito manauara lamentar a pouca arborização da cidade para enfrentar, com menos sofrimento, esses meses do ano.
“O crescimento desordenado da cidade trouxe esse problema da falta de arborização”, afirma a bióloga e doutora em engenheira florestal, Yeda Arruda, professora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), que é integrante do grupo de pesquisas “Árvores do Asfalto”, criado na instituição para discutir e propor alternativas para essa questão.
Yeda explica que os bairros da Zona Sul e Centro-Sul, os mais antigos da cidade, ainda mantêm praças e canteiros centrais com arborização, ajudando Manaus a ter um pouco mais de sobra e conforto térmico.
Mas além do Centro e Cachoeirinha, na zona Sul, há a Cidade Nova, na zona Norte e Dom Pedro, zona Centro-Oeste, com boa quantidade de vegetação em praças e espaços públicos, nas demais zonas a vegetação rara deixa a capital amazonense no antepenúltimo lugar entre as demais do país, no item arborização, de acordo com o levantamento do IBGE de 2019.
A professora destaca que na Zona Sul, a manutenção da vegetação ocorre por ser nas praças históricas da Saudade, Polícia e Matriz.
Mas quando se olha para as áreas para onde a cidade de expandiu, como a Oeste, Centro-Oeste, Norte e Leste, o verde começa a ficar raro porque mesmo em algumas praças não há quantidade expressiva de vegetação.
O ranking das capitais mais verdes medido pelo IBGE foi baseado nos espaços públicos e são eles que precisam da atenção do poder público nesse aspecto, afirma Yeda, lembrando a necessidade de se fazer um estudo urbano da contribuição dos quintais para arborização urbana.
Entre os aspectos importantes atualmente a prejudicar a arborização, segundo a professora, há a expansão de mobiliários urbanos, placas de sinalização, postes de iluminação, rede elétrica, telefonia, Internet e até a tubulação de gás, em cuja área não pode ter vegetação.
Outro ponto destacado pela professora é quanto ao vandalismo contra as espécies. “É comum as pessoas roubarem a muda de planta ou destruírem”, lamenta ela, para explicar que além da espécie usada para a arborização ter que dar uma resposta fisiológica positiva, tem que escapar dos predadores.
A espécie Pau-Pretinho é uma das que tem dado maior retorno na arborização de Manaus. “Não estoura calçada, floresce, frutifica, tem uma copa viçosa que dá sombra”, explica.
Novas espécies com essas características estão sendo pesquisadas pelo “Árvores do Asfalto” para a arborização.
O grupo, formado por professores e alunos de várias disciplinas como biólogos, engenheiros florestais, agrônomos, entre outros, detectou em uma pesquisa que o manauara vê como importante a arborização e prefere ter frutíferas como caju, manga e abacate nas vias, o que pode gerar problemas com a queda dos frutos em veículos e pessoas, por exemplo.
Outro dado da pesquisa mostrou que o manauara quer árvores com flor, por entender a arborização apenas com finalidade de embelezamento, mas sabemos dos demais benefícios com as sombras, diminuição da poluição atmosféricas e conforto térmico, explica.
Para ela, faltam campanhas de conscientização permanentes para informar, por exemplo, que uma árvore plantada é promover tanto a saúde quanto a qualidade de vida.
“Essas campanhas precisam ser permanentes numa cidade com mais de 2 milhões de habitantes, precisamos trabalhar com esse foco para ter uma cidade mais arborizada”, finaliza Yeda.



