Manaus/AM - A saudade de quem já morreu é o sentimento que mais aparece entre os produtos vendidos por Débora Lacerda durante o Dia de Finados. Há mais de 20 anos, ela e a família montam uma barraca nas proximidades de um cemitério de Manaus para comercializar flores, velas, cataventos e guirlandas procurados por pessoas que visitam os túmulos de parentes e amigos.
Segundo Débora, a movimentação começou ainda na sexta-feira (30), quando a família montou a estrutura para receber os clientes. A tradição atravessa gerações e, com o passar dos anos, os filhos que acompanhavam a mãe quando eram pequenos passaram a trabalhar junto com ela.

“Viemos aqui quando as crianças eram pequenas. Hoje já trabalham com a gente. É uma tradição da família Lacerna”, contou.
Na barraca, os visitantes encontram produtos com diferentes mensagens e formatos. Há enfeites com frases de saudade e amor, flores, velas e peças com referências a times de futebol, como Vasco e Flamengo. Parte dos itens é adquirida para revenda, enquanto as guirlandas são produzidas pela própria família.

“Todo ano é tradição da família fazer as guirlandas. Como eu falei, a saudade sempre está escrita”, explicou a comerciante.
Apesar da variedade, a palavra “saudade” é a mais procurada pelos clientes. Para Débora, a escolha tem relação direta com o significado da data e com as lembranças deixadas por quem morreu.
“É muita saudade dos nossos entes queridos que já foram e deixaram lembranças boas. Essa frase resume tudo”, afirmou.
A comerciante também conhece de perto a dor da perda. Ela contou que perdeu um filho há 12 anos e que a data tem um significado especial para quem precisa conviver com a ausência de alguém querido.

Além da atividade no período de Finados, Débora mantém a loja DL Store, há mais de sete anos, e participa de feiras e bazares. A barraca montada no entorno do cemitério representa uma renda extra e também uma oportunidade de manter a tradição familiar.
Ao deixar uma mensagem para quem visita os cemitérios neste domingo (2), ela destacou a importância de valorizar os familiares enquanto estão vivos e fortalecer os laços entre parentes.

“Eu digo para a gente ser mais compatível com os entes queridos. Mais união, porque agora o mais importante é a união da família. Isso é a base de tudo. Se a família não estiver unida, desaba”, concluiu..
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