Manaus/AM - A concessionária Águas de Manaus aplicou, neste mês de fevereiro, reajuste de 5,52% na tarifa de água e elevou de 75% para 80% o percentual cobrado sobre a taxa de esgoto na capital amazonense. O aumento atinge consumidores das categorias social, residencial, comercial, industrial e do poder público. Com a mudança, o valor do metro cúbico residencial para consumo de até 30 mil litros passou de R$ 17,99 para R$ 18,98, ampliando o peso da conta no orçamento das famílias.
A empresa afirma que o percentual corresponde a parcelas remanescentes de reajustes da época da pandemia — 3,92% de 2021 e 1,65% de 2022 — e sustenta que não houve acréscimo além do previsto em contrato. No entanto, o histórico de aumentos sucessivos tem gerado insatisfação entre consumidores, especialmente após a polêmica judicial em 2020 que discutiu um reajuste acumulado considerado excessivo. O parcelamento ao longo de vários anos prolongou o impacto financeiro para a população.
Além da alta na tarifa, a ampliação da cobrança de esgoto para 80% reacende questionamentos, principalmente porque a cobertura do serviço ainda não atende toda a cidade. Moradores relatam que a taxa é cobrada mesmo em locais onde não há ligação efetiva das residências à rede. Vereadores já classificaram a prática como injusta em determinadas situações, apontando que a cobrança ocorre antes da prestação completa do serviço.
As críticas, porém, vão além dos valores. Moradores também denunciam a precariedade dos serviços prestados pela concessionária, com obras que deixam ruas cheias de buracos, acúmulo de sujeira, transtornos no trânsito e barulho constante nas áreas afetadas. Apesar de a empresa defender que os reajustes são necessários para garantir investimentos e manter o equilíbrio financeiro do contrato firmado em 2000, a percepção de parte da população é de que o aumento nas tarifas não tem sido acompanhado por melhorias proporcionais na qualidade do serviço oferecido.

