Manaus/AM - O assassinato de 41 indígenas no Amazonas em 2020 é um dos dados registrados no “Relatório da Violência Contra os Povos Indígenas do Brasil – dados de 2020”, publicado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e divulgado no final da tarde de ontem (28).
Os estados com o maior número de assassinatos de indígenas em 2020, segundo os dados da Sesai e das secretarias estaduais de saúde, foram Roraima (66), Amazonas (41) e Mato Grosso do Sul (34).
Entre os casos, destaca-se o ocorrido em meio às ações da Polícia Militar, no que ficou conhecido como “Massacre do rio Abacaxis”, entre os municípios de Borba e Nova Olinda do Norte, que teve origem no conflito causado por turistas que ingressaram ilegalmente no território de indígenas e ribeirinhos, na região dos rios Abacaxis e Marimari, para praticar pesca esportiva.
A operação da polícia militar no local resultou na morte de dois indígenas do povo Munduruku e de pelo menos quatro ribeirinhos, além de outros dois desaparecidos e diversos relatos de violações de direitos humanos praticados pelos policiais.
Em 2020, 182 indígenas foram assassinados no país, um número 61% maior do que o registrado em 2019, quando foram contabilizados 113 assassinatos
SUICÍDIO
O Cimi obteve dados parciais da Secretaria de Estado da Saúde Indígena (Sesai), por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) de suicídio e mortalidade na infância indígena que mostraram 110 suicídios de indígenas em todo o país, dos quais 42 foram no Estado do Amazonas no ano de 2020.
Apesar de não ter sido verificado um aumento do número de casos em relação a 2019, a Secretaria ressalta que os dados são preliminares e estão sujeitos à alteração.
Ainda segundo os dados da Sesai, foram registrados 776 óbitos de crianças de 0 a 5 anos em 2020, dos quais só no Amazonas foram 250 casos, seguido por Roraima, com 162 óbitos e Mato Grosso, 87.
E a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) divulgou que mais de 43 mil indígenas foram contaminados pela Covid-19, que causou pelo menos 900 mortes por complicações da doença no ano de 2020.
O relatório tem 242 páginas e com fotos e gráficos, chama a atenção para as diversas formas de violência a que estão submetidos os povos tradicionais do nosso país.



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