Manaus/AM - As meninas de 10 a 14 anos foram as principais vítimas de 4.691 casos de violência notificados em todo o ano de 2022, como agressão física, sexual e psicológica com o uso de força corporal praticados por conhecidos da vítima.
Ao todo, 26,1% das notificações foram para mulheres nessa faixa etária e 62,8% dessas agressões ocorrem dentro da casa das vítimas.
Os dados, da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), estão no informe epidemiológico do Monitoramento da Violência contra a Mulher no Amazonas divulgados hoje.
O monitoramento da violência contra a mulher é realizado pela FVS-AM, por meio da Gerência de Doenças Crônicas e Agravos Não-Transmissíveis (GVDANT), do Departamento de Vigilância Epidemiológica (DVE).
O informe revela que um total de 18,7% das notificações de violência foram contra mulheres na faixa etária de 20 a 29 anos, 13,8% na faixa de 1 a 9 anos, 11,7% de 30 a 37 anos, 5,5% de 40 a 49 anos, 3,1% de um ano de idade, 2,9% mais de 60 anos e 1,8% de 50 a 59 anos.
Quando à raça e cor, 79,1% das mulheres vítimas de violência eram pardas, 12,3% indígenas, 5,6% brancas, 2,1% pretas, 0,5% amarelas.
Quanto aos tipos, 39,3% foram de violência física, 21,5% sexual, 11,2% psicológica e moral, 9,6% lesão autoprovocada, 7,8% negligência e abandono. Há ainda 10,7% de notificações identificada como outros, sem caracterização.
O local das agressões onde aconteceram a maioria das agressões, após a residência que lidera entre as ocorrências, foi na via pública, onde ocorreram 13,6% dos atos violentos, enquanto na escola foram 1,5% das notificações, bar ou similar, 1,4% e comércio, 1%.
Os agressores usaram a força corporal em 40,8% dos casos, enquanto uso de objetos perfuro cortantes aconteceram em 13,3% dos casos notificados. As ameaças ocorreram em 10,9% dos casos, uso de objetos contundentes foram 3,6% e arma de fogo, 3,6%.
Na maioria, 25,4% dos casos, a vítima tinha vínculo com o suposto agressor, 14,5% os cônjuges foram os agressores, 13,7% desconhecidos, 10,8% os namorados, 8,4% as mães, 7,1% os pais e os padrastos e 4,6% ex-cônjuges.
Os dados serão compartilhados com os órgãos públicos e organizações da sociedade civil que lidam diretamente no enfrentamento da violência doméstica e familiar para subsidiar a construção das políticas públicas e as decisões voltadas para prevenção de violências contra mulher, afirma a diretora-presidente da FVS-AM, Tatyana Amorim.
De acordo com a diretora, a possibilidade de detalhar o perfil da mulher alvo da violência contribui para a construção de ações preventivas mais efetivas para o enfrentamento à violência contra mulher no estado.

