Manaus/AM - O presidente do Aeroclube do Amazonas, Kassino Ouroso, informou que a administração da instituição tenta derrubar a ordem de despejo da Justiça em favor da Infraero, que pode fechar a escola de aviação e tomar os hangares que funcionam no local.
Kassiano criticou a decisão e ressaltou que o Aeroclube já funciona no local há mais de 80 anos e que a Infraero atropelou os contratos que dão direito de uso do local.
"Essa empresa está aqui, é uma estatal que é deficitária, todo mundo sabe a nível do Brasil, é mais uma das mais deficitárias e veio para cá simplesmente para tomar os contratos que nós tínhamos do aluguel dos nossos hangars, inclusive do nosso, que agora é o objeto desta questão do despejo que é absolutamente descabida", explica.
Ele afirma que o aeroclube entrou com recurso e que o mesmo será julgado nesta segunda-feira (20), mas há muitas preocupações em torno do caso. Um possível fechamento do local pode afetar não só a aviação diretamente, como também a formação de novos pilotos.
"Nós, o ano passado, formamos 33 pilotos. Este ano temos mais 30 em formação e o que está segurando a aviação do Brasil é os pilotos formados nos aeroclube, né? E nós vamos perder essa condição. O mundo está deficiente de pilotos. E a Amazónia, a espinha dorsal do Brasil é a aviação, tanto sua aviação agrícola como a aviação de business ou os deslocamentos normais. Hoje não há pilotos e vão acabar com mais ou a tentativa me parece ser essa, acabar com a formação de piloto".
Luiz Mota, diretor de marketing do aeroclube também questiona as questões que levaram a ordem de despejo. "Nós estamos com uma ordem de despejo e não é uma ordem de forma correta. Então, nós entramos com recurso e a nós do recurso para esse manter o sítio (...) A Infraero não pode do nada aparecer aqui no aeroporto que é particular. Então, nós estamos aqui há mais de 85 anos, já. Então, a Infraero não teve nenhuma presença aqui.
Francimar Sampaio, diretor tesoureiro do Aeroclube, também ressaltou os prejuízos que o fechamento do Aeroclube pode causar. Ele ressalta que a aviação será diretamente afetada não só no Amazonas, mas no país.
"Nós temos 26 aeroclube com escolas de formação de pilotos sofrendo intervenções e praticamente sendo extintos. O Brasil ele tem carência de formação de pilotos uma demanda por 20 anos e sem as escolas de ação que contribuem com o grosso da aviação comercial brasileira, um país continental como o nosso vai entrar em colapso", destaca.
Ele pontua ainda que o aeródromo funciona no local há quase um século. "Essa ação que está sendo movida contra o Aeroclube do Amazonas, ela foi baseada no na matrícula feita no cartório de registro de imóveis no Governo Geisel, no Governo Militar, em que as premissas seriam é que não haveriam títulos particulares anteriores e aqui que tem quatro títulos particulares e matriculados desde 1940 e que a União tivesse posse pacífica por 20 anos antes de 1976. Não existe um documento sequer que prove que a União tenha estado aqui 20 anos antes de 76, porque até hoje, há 85 anos que isto aqui é o Aeroclube do Amazonas".
Ele relata ainda que a Infraero cobra uma dívida que não existe e que não pode ser cobrada. "A Infraero veio para cá por uma portaria do Ministério de Portos e Aeroporto em 2023, outubro de 2023. Aí vocês imaginem, a Infraero quando entrou aqui através de uma emissão de posse com base nessa matrícula da União, entrou com cobrança de aluguel contra o Aeroclube do Amazonas por tudo aquilo que nós construímos aqui. Inclusive na ação de despejo que foi movida o pedido a execução, eles citam que o Aeroclube deve para Infraero 400 e quase 500.000 em cima do que nós construímos".
Sobre a possibilidade de transferência do espaço, o Aeroclube não foi informado sobre o assunto e não vê viabilidade para tal no momento.










