Manaus/AM - A Avá Produção Cultural estreia um novo projeto cultural intitulado “Ruas, Becos e Vielas”. A intervenção urbana traz para cena os desafios diários da acessibilidade urbana, a partir do corpo em movimento e o espaço nas grandes cidades, quase nunca pensado para as pessoas, e sim, cada vez mais planejados para veículos.
Partindo de estudos realizados pela Contem Dança Cia, que há 13 anos vem propondo ações artísticas em formato de intervenção, instalação e performance em Manaus, o projeto de intervenção urbana “Ruas, Becos e Vielas” dá continuidade a investigação do corpo urbano, pois surge da inquietação de seus pesquisadores ao refletir sobre o fazer artístico e criativo do corpo que move, o seu lugar na sociedade que o envolve e a relação dele do lado de fora, inclusive em meio à pandemia.
As intervenções ocorrerão de 27 a 30 de outubro, sempre às 18h, nas ruas dos bairros Amazonino Mendes 2, São Lázaro, Santa Etelvina e Compensa. Para as atividades foram convidados três performers: Mara Pacheco, Magno Fresil e Miguel Maia, este último, artista, pessoa que usa cadeira de rodas e que norteia, com seus conhecimentos práticos, as dificuldades enfrentadas a partir da falta de acessibilidade urbana.
“Sou artista urbano e essa falha que tem na logística para quem tem deficiência como eu, já começa quando sai de casa. No meu caso, por exemplo, eu tenho que pegar o ônibus horas antes do horário do meu compromisso agendado, porque tenho que ver qual o ônibus pode me levar. Tem ônibus que não funciona (o elevador para pessoas que usam cadeira de rodas). Então, desde quando eu saio de casa, já sinto esse problema. Tenho que pedir ajuda de pessoas estranhas. É tudo muito complexo”, compartilhou Miguel.
Além das intervenções, o projeto inclui também duas oficinas, uma delas realizada hoje por Miguel Maia, no Centro Cultural Aníbal Bessa, na Zona Leste. A segunda, “Escuta do Corpo” com Francis Baiardi, acontecerá no próximo dia 28, no Centro Educacional de Tempo Integral Garcityzo do Lago Silva.
“As inscrições foram abertas e todas as vagas foram preenchidas porque está tendo um envolvimento muito grande das comunidades. Ações artísticas no espaço urbano ainda são raras na cidade, sendo a maior parte dos processos obras elaboradas para o palco, deixando à margem qualquer interação com a cidade e sua riqueza de detalhes e espaços para criação”, comentou a diretora do projeto, Francis Baiardi.
Além dos performers, “Ruas, Becos e Vielas” tem provocação e direção de Francis Baiardi; Produção Executiva de Magno Fresil, Paisagem sonora de Dj Naty Veiga; Consultoria de figurino de Cybele Bentes; Paisagem visual de Diego Batista; Registro de Rosana Baré e Francis Baiardi; Assessoria de Mônica Figueiredo; Designer de Adson Freire; Confecção de Rampa de Acesso: Elizomar Silva e Apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC), Centro Educacional de Tempo Integral Garcityzo do Lago Silva, Centro Educacional Anibal Beça/Anexo Thiago de Mello e Espaço Cultural Uatê.


