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Funaro evitava e-mails e enviava documentos por envelope para evitar monitoramento

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BRASÍLIA - Lúcio Funaro, apontado como operador de políticos do PMDB em esquemas de corrupção, relatou o medo de monitoramento de suas comunicações enquanto ainda estava envolvido em atividades ilícitas. Em um dos depoimentos de sua delação premiada, ele narrou as negociações para firmar um contrato com a JBS, cujos executivos viriam posteriormente a firmar acordos para colaborar com a Justiça. Não houve troca de e-mails, documentos eram enviados por envelopes, e as versões originais foram rasgadas.

Segundo Funaro, ele e Francisco de Assis e Silva, diretor jurídico da JBS, trocavam envelopes.

– Naquela época, a gente já nem trocava e-mail. Só trocava e-mail quando era combinado que ia trocar e-mail, porque já tava todo mundo neurótico com relação a problema, que pudesse estar sendo monitorado, alguma coisa desse tipo. Então o que acontecia: eu mandava documentos para Francisco por envelope. Francisco me mandava por envelope. Aí ele fez o contrato. Eu li o contrato. Fez o contrato com uma data anterior, de 2012. E aí nós combinamos de assinar todo mundo junto e rasgar as versões originais – contou Funaro.

Um dos interrogadores perguntou então:

– Todo mundo quem?

– Eu, Francisco e Joesley – respondeu o operador do PMDB, numa referência a Joesley Batista, dono da JBS.

Os vídeos foram enviados à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, onde está o processo em que o presidente Michel Temer foi denunciado por organização criminosa e obstrução de justiça. Isso porque, em razão do cargo que ocupa, a denúncia do Ministério Público só pode ter prosseguimento se a Câmara der seu aval. No mesmo inquérito, foram denunciados outros políticos do PMDB, como o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência da República) e os ex-ministros Geddel Vieira Lima e Henrique Alves.

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