Zema decreta lockdown em duas regiões de Minas com cenário de colapso

Por Folha de São Paulo / Portal do Holanda

03/03/2021 18h05 — em Variedades

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - O cenário de estrangulamento na saúde em regiões de Minas Gerais levou o governo Romeu Zema (Novo) a criar uma nova fase no plano que orienta a flexibilização de atividades, com adesão obrigatória para os municípios, e medidas de lockdown para conter o avanço da pandemia do novo coronavírus.

Duas regiões do estado já entrarão na nova fase, que tem vigência de 15 dias, a partir desta quinta-feira (4): a região Noroeste, que tem como pólo Patos de Minas, e a região Triângulo Norte, cujo pólo é Uberlândia. Ao todo, as duas somam 60 municípios.

Até agora, o plano que orientava protocolos de flexibilização durante a pandemia tinha três ondas -vermelho (a mais rígida), amarelo e verde- e passou por duas modificações desde a criação, a última delas, no início do ano. A adesão ficava a critério dos prefeitos.

Entre as medidas restritivas da onda roxa, fase criada agora, estão o fechamento do comércio não essencial, a autorização de circulação de pessoas apenas para atividades essenciais, a imposição de toque de recolher entre 20h e 5h, a proibição de reuniões presenciais, mesmo para pessoas da mesma família que não morem juntas, o uso obrigatório de máscaras em todo espaço público ou de uso coletivo e a instalação de barreiras sanitárias.

Durante o anúncio das novas medidas, Zema disse que Minas não viveu a desassistência vista em outros estados durante a pandemia, mas que o cenário nas regiões que entrarão na onda roxa será de colapso, caso a curva da pandemia permaneça.

"Estamos falando de colapso da rede de saúde na região, não é problema municipal mais", afirmou, explicando porque a medida é impositiva e não mais a critério das prefeituras. "Ver pessoas chegando com falta de ar ao hospital e não conseguir dar atendimento é cena de horror, e nós não queremos que isso aconteça em Minas Gerais. A medida é temporária, vale por 15 dias, é pontual e regional."

Segundo o boletim epidemiológico desta quarta, o estado registrou 18.872 mortes e 893.645 casos, em quase um ano de pandemia. Em 24 horas, foram confirmados 6.565 casos novos e 227 mortes.

Minas está com 74% dos leitos de UTI públicas ocupados, 37,2% com casos relacionados ao novo coronavírus -o estado não divulga leitos reservados para Covid-19, apenas o número total.

Outras três regiões de Minas, que hoje se encontram na onda vermelha, estão sendo observadas e podem ser colocadas na roxa, caso os indicadores apontem para isso. A região Centro, onde está Belo Horizonte, ainda não está entre elas, mas é acompanhada diariamente, segundo o governo.

A previsão inicial, como antecipado na coluna Painel do jornal Folha de S.Paulo, era de que Zema decretaria lockdown em quatro regiões do estado, abrangendo cerca de 220 municípios. Prefeitos que quiserem ser colocados sob a nova fase de lockdown podem fazer solicitação à Secretaria Estadual de Saúde.

Segundo o secretário da pasta, Carlos Eduardo Amaral, entre os indicadores que determinaram a inclusão das regiões na onda roxa estão taxa de ocupação de leitos, o risco de desassistência, a taxa de incidência de casos e surtos, a taxa de óbitos, entre outros.

Em Uberlândia, onde a ocupação da rede municipal atingiu 100%, 150 pacientes aguardavam leitos de enfermaria e 203 de UTI, nesta quarta. A prefeitura já havia adotado medidas como toque de recolher e lei seca, tentando conter a transmissão do vírus, e encaminhou ofício aos governos estadual e federal pedindo atenção especial.

Na segunda, o prefeito Odelmo Leão (PP) se manifestou nas redes sociais dizendo que a situação atual é a pior de todas já vividas e que estava pedindo a transferência de pacientes a outros municípios.

"A gente pediu, a gente apelou para que todos compreendessem o momento que vivíamos, para que não chegássemos a essa situação. Infelizmente, muitos não ouviram e duvidaram desta doença", escreveu ele.

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