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Usuários de drogas pintam rua para demarcar espaço na cracolândia em São Paulo

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Usuários de drogas que se fixaram na rua Vitória, no bairro Campos Elíseos, centro de São Paulo, pintaram com tinta branca uma parte da via para demarcar o espaço ocupado por eles. A ação, segundo os moradores, ocorreu nesta terça-feira (10).

A rua Vitória abriga um bom número de frequentadores da cracolândia desde que o fluxo, como é chamada a aglomeração de usuários, ficou mais disperso.

A cena foi registrada por moradores. Uma foto a que a reportagem teve acesso mostra a dificuldade que um motorista de ônibus tem para passar pela rua. Outra registra o exato momento em que um homem pinta a linha.

A pintura foi feita entre as ruas Conselheiro Nebias e Guaianases. O local escolhido pelos usuários fica em frente a um estacionamento.

Questionada sobre o fato, a SSP (Secretaria de Segurança Pública) disse que atuação dos agentes do estado na região da cracolândia é prioridade para a atual gestão, que desenvolve novo plano de trabalho multidisciplinar para garantir o combate ao tráfico de drogas e o atendimento aos usuários.

Conforme a pasta, o atual delegado seccional do centro, Jair Ortiz, estuda a questão desde 2015 e fez intercâmbio com polícias de outros países que combateram com sucesso o tráfico de entorpecentes regionalizado.

Procurada, a Prefeitura de São Paulo não se manifestou.

Moradores e comerciantes da rua se dizem sitiados com o número de traficantes e usuários de drogas que ocupam o local. Conforme os relatos, há momentos do dia em que a via fica totalmente interditada. Serviços como a entrega de alimentos e o uso de carros de aplicativos estão sendo afetados, segundo um aposentado de 63 anos, que pediu para não ser identificado por temer represálias.

O morador afirmou que entende que o novo governo precisa de tempo, mas que o dia 23 de janeiro, data em que a gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) anunciou que fará uma reunião para tratar o tema, ainda está longe e que uma solução imediata, nem que seja paliativa, é necessária.

De acordo com o aposentado, 40 famílias, além de proprietários de lojas, estão sendo prejudicados pela cracolândia.

A reportagem também conversou com uma comerciante de 50 anos, que preferiu manter o anonimato. Para ela, a pintura clandestina da rua é um sinal de descaso do poder público. A mulher se disse revoltada com a permanência da cracolândia na rua Vitória e que isso tem deixado moradores e comerciantes doentes.

Uma pensionista de 63 anos, que pediu para não ser identificada, relatou não deixar mais a janela aberta para que a fumaça de cachimbos usados para consumir crack não invada sua residência. Ela acrescentou que está sendo respeitado o seu direito de ir e vir na região.

A nota encaminhada pela SSP ainda diz que a Polícia Militar intensificou o policiamento ostensivo e preventivo em toda região central de São Paulo e periodicamente reorienta as equipes nas áreas com maior incidência criminal.

A Polícia Civil, ainda segundo a secretaria, contibua realizando ações constantemente com trabalho de inteligência e investigação para identificar e prender os criminosos envolvidos, principalmente, em crimes de tráfico de drogas e contra o patrimônio nas ruas do centro.

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