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Teich contorna fritura e surpreende Bolsonaro com saída rápida da Saúde

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Desde a semana passada, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) já afirmava a amigos e aliados que o oncologista Nelson Teich demonstrava sinais de incômodo e insatisfação à frente do Ministério da Saúde. O presidente acreditava, no entanto, que se tratava de uma reação normal para quem havia assumido há menos de um mês um novo cargo e que não havia chance de ele deixar o posto. Por isso, o pedido de demissão feito nesta sexta-feita (15) por Teich pegou Bolsonaro de surpresa e o deixou atordoado. Com a mudança inesperada, o presidente ainda não tem um nome definido para o comando da pasta. No dia anterior ao pedido de demissão, Bolsonaro e Teich haviam se reunido no Palácio do Planalto. O presidente saiu da reunião com a expectativa de que haveria mudança no protocolo para autorizar a utilização da cloroquina no início do tratamento para o novo coronavírus. E ele esperava que Teich concordasse com a mudança em novo encontro marcado para esta sexta. O ministro, no entanto, quebrou rapidamente a expectativa de Bolsonaro. Logo no início da reunião, Teich já disse, de acordo com relatos feitos à Folha, que a mudança não era correta e não tinha amparo cientifico. Antes mesmo de Bolsonaro argumentar, Teich afirmou que pretendia deixar o cargo. Como resposta, o presidente lamentou e disse que buscará um nome para substituí-lo que seja afinado ao seu discurso. Caso o ministro não aceitasse a mudança na regra, o presidente avaliava iniciar um processo de fritura contra ele, repetindo o expediente adotado com o antecessor, Luiz Henrique Mandetta. Teich, no entanto, não quis esperar chegar a esse ponto. De acordo com servidores da pasta, ele ressaltou que não colocaria a perder a sua trajetória profissional. Pego de surpresa, Bolsonaro começou nesta sexta a analisar nomes para a pasta. Em paralelo, pediu a técnicos do governo que, antes da nomeação de um novo ministro, já deixem preparada a mudança do protocolo. Em conversas de bastidor, ele disse que quer alguém que, além de concordar com a aplicação da cloroquina, passe uma imagem de credibilidade diante da crise sanitária. Em análise, estão nomes de médicos e militares. A expectativa é de que Bolsonaro converse com alguns dos cotados no sábado e no domingo e só tome uma decisão na próxima semana. Na lista de nomes técnicos, são citados a imunologista Nise Yamaguchi, o oftalmologista Claudio Lottenberg e o presidente da AMB (Associaçao Médica Brasileira), Lincoln Lopes Ferreira. Na relação de militares, os dois nomes favoritos são o do diretor de Saúde da Marinha, o contra-almirante Luiz Froes, e o secretário-executivo do Ministério da Saúde, o general Eduardo Pazuello. Os dois últimos contam com o apoio da cúpula militar do Palácio do Planalto, mas enfrentam resistência junto aos comandantes das Forças Armadas, A avaliação é de que um militar à frente de uma pasta sensível em meio a uma pandemia mundial pode afetar a ima gem das Forças Armadas caso a gestão não seja bem-sucedida. A dificuldade é achar alguém que possa atender o que o presidente quer: apoiar o uso da cloroquina no início do tratamento e ser flexível com o isolamento social.

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